‘Não deixar ninguém meter o nariz no Brasil’

Em meio à tensão com o governo dos Estados Unidos em decorrência do tarifaço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação dos investimentos destinados às Forças Armadas. Durante visita às instalações da Avibras, empresa do setor de defesa localizada em Jacareí (SP), o petista disse que pretende fortalecer a capacidade militar brasileira para impedir interferências externas.

“(Quero as Forças Armadas) Com armamento e conhecimento científico e tecnológico para que a gente possa andar de cabeça erguida, sem nenhuma arrogância, falando em paz”, disse Lula. “Mas preparado para não deixar ninguém meter o nariz no nosso país.”

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A fala ocorreu em um momento em que o governo brasileiro busca reagir às novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. Nesta semana, Washington anunciou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, elevando a tributação de parte das exportações nacionais. 

O Palácio do Planalto classificou a decisão como arbitrária e informou que pretende recorrer aos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.

Lula fala em guerra

Sem fazer referência direta a Trump ou a qualquer chefe de Estado, Lula afirmou que há “loucos pelo mundo querendo fazer guerra” e que o cenário internacional exige que o Brasil esteja preparado diante do aumento das tensões geopolíticas.

“A gente tem fronteira com todos os países da América do Sul, menos com o Chile e com o Equador”, declarou. “A gente tem a África na nossa frente e a gente tem os loucos pelo mundo querendo fazer guerra. A gente não pode se esquecer que, embora a gente só gosta de paz, a gente seja de paz (…), a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu Uruguai, ao mesmo tempo invadiu Argentina. E aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos.”

Defesa e riquezas estratégicas

Ao longo do discurso, Lula argumentou que os investimentos em defesa vão além da dimensão militar e estão relacionados à proteção de ativos considerados estratégicos para o país, como minerais críticos e terras raras, insumos utilizados pela indústria de alta tecnologia.

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“Nós precisamos levar em conta que a Defesa é séria”, prosseguiu. “Porque, se a gente vai conversar com algumas pessoas, elas falam: vai gastar dinheiro com Forças Armadas? Para quê? Não precisamos disso. Eu sempre falo isso. As Forças Armadas é que nem Deus, você pode não acreditar, mas a primeira vez que você tiver dor de barriga, você vai dizer: ai, meu Deus. Então as Forças Armadas a mesma coisa.”

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