
No momento em que as correntes internas do PT se digladiam na disputa pelo comando da sigla no Ceará com vistas às eleições de 2014, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, disse ontem, em Fortaleza, que a definição sobre a composição do palanque do Estado no próximo ano ficará com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a chefe do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.
O PT cearense está dividido entre apoiadores e opositores do governo Cid Gomes (PSB), tendo a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, como líder do grupo anti-Ferreira Gomes, e o deputado federal José Guimarães como um dos mais simpáticos ao clã. As duas forças têm planos diferentes para 2014 – enquanto uma ala quer apoiar o nome escolhido por Cid para a sucessão estadual, outra defende candidatura própria ou aliança em torno da possível empreitada do senador Eunício Oliveira (PMDB) ao Governo. O apoio de Cid a Eunício é considerado por várias lideranças como improvável.
Ontem, Rui Falcão afirmou que o posicionamento de Luizianne “é legítimo”, mas que é preciso “pautar o comportamento com base na aliança nacional e no projeto de reeleição de Dilma”. As declarações de Falcão foram feitas após o lançamento da candidatura de Francisco de Assis Diniz à presidência do PT do estado, cujo pleito tem apoio das principais tendências do partido, incluindo a de Guimarães.
O evento
Apesar das tentativas de alguns petistas de adiar o debate sobre 2014, foi forte o tom político do evento. Guimarães foi “lançado” a senador por vários petistas – hipótese que ele e Falcão não confirmaram, mas também não descartaram. “O plano é estar na chapa majoritária, seja na candidatura ao Senado, seja ao Governo”, disse o presidente nacional da sigla. “Eu topo qualquer parada”, complementou Guimarães.
O candidato ao comando do PT cearense pela corrente Movimento PT, De Assis, que deve levar a maioria dos 55 mil votos na sigla na disputa interna de novembro, pregou o diálogo. Ele também prometeu ampliar as atividades da legenda no Interior do Estado.
Bastidores
Durante seu discurso, Rui Falcão se disse preocupado com os réus do processo do mensalão, “principalmente com (José) Genoíno”, irmão de José Guimarães, que “sofreu linchamento moral”, segundo Rui. “Não sabemos o que irá acontecer”, afirmou, sobre o desfecho da votação sobre possível novo julgamento.
Em entrevista, o presidente nacional do PT, que concorre à reeleição no posto, não quis comentar as declarações duras do ministro Gilmar Mendes, que chamou os réus de “grupo de delinquentes”. Questionado se teme que haja novo julgamento no ano eleitoral, ele disse temer apenas “que não se faça justiça”.
No discurso de Falcão, sobraram críticas à imprensa, principalmente à Rede Globo. Ele acusou a mídia de ter potencializado o “Fora, Dilma” gritado durante as recentes manifestações no País.
Sobre o cenário eleitoral de 2014, Guimarães evitou entrar em detalhes sobre as negociações. Não escondeu, no entanto, satisfação por ter sido lembrado para o Senado.
O deputado deu uma discreta bronca na organização do evento, que chegou a anunciá-lo para abrir os discursos da cerimônia. Ele se levantou e disse à cerimonialista: “Por que não programaram direito? primeiro são os deputados estaduais”.
O Povo

