O secretário executivo do Ministério da Integração, Alexandre Navarro, voltou a defender que a sede do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs) seja transferida para Brasília e disse que há um “discurso fácil” em relação à polêmica. Ele participou ontem de um seminário em Fortaleza para discutir a reestruturação do órgão, realizado no Centro de Treinamento do BNB. A bancada federal cearense reagiu com duras críticas e se articula para que, na reestruturação, a sede continue em Fortaleza.
A proposta apresentada por Navarro é de que a atual sede do Dnocs, em Fortaleza, passe a ser uma diretoria regional. Essas diretorias também seriam criadas nos estados do Pará, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. “A política seria feita em Brasília”, afirmou o secretário, acrescentando que a atuação do órgão no Ceará seria “muito melhor” com a implantação de uma diretoria regional.
Questionado sobre o que o Ceará ganharia com a mudança, Navaro disse que haveria mais facilidade no planejamento, na implantação de obras de infraestrutura hídrica e na contratação de pessoal. “Vai se tornar uma entidade muito mais robusta e capaz do que é hoje”, resumiu.
Alexandre Navarro explicou que, com a reestruturação, seriam criados cerca de 2.300 cargos através de concurso público, sendo 750 de forma imediata. Em determinado momento, ele se mostrou exaltado após pronunciamentos de alguns parlamentares e servidores presentes ao seminário. “As pessoas não são massa de manobra e percebem onde está a mentira. (…) Não comprem o discurso fácil”, disse, dirigindo-se aos servidores. “Entendam isso: ou avança ou fica onde está”, completou.
Membros da bancada federal cearense reagiram. “O problema é político. O Nordeste sempre foi discriminado nacionalmente” criticou o deputado Danilo Forte (PMDB).
Impasse
Navarro ressaltou por várias vezes que é preciso chegar a um consenso sobre as propostas de reestruturação até o fim de agosto, quando se inicia a definição do Orçamento da União para o próximo ano. Esse tom de cobrança foi criticado por membros da bancada federal cearense.
“É terrorismo dizer que temos só até agosto”, disse o deputado federal Chico Lopes (PCdoB). Eudes Xavier (PT) disse que “o tempo é curto” e projeto que em cerca de 30 dias será possível avaliar se houve avanço no diálogo.
O coordenador da bancada, Antônio Balhmann (PSB), diz “é melhor deixar do jeito que está” do que aprovar uma proposta “artificiosa”. “A bancada cearense será integralmente contra o que está aí”.
O Povo

