FORTALEZA: Negociação sobre viadutos no Cocó desagrada procurador e ativistas

Reunião discutiu parâmetros para caso de desocupação, mas desagradou manifestantes e procurador (Foto: Fabio Lima/O POVO)

Membros do Ministério Público Estadual, do Federal, da Prefeitura de Fortaleza, dos órgãos de segurança e manifestantes contrários à construção de viadutos no Parque do Cocó participaram de reunião ontem para tentar encontrar meio pacífico de pôr fim aos conflitos em torno do projeto. Mas as recomendações acordadas, que ainda serão discutidas nesta segunda-feira entre Ministério Público e Prefeitura, não agradaram a todos.

O procurador da República Oscar Costa Filho se exaltou por entender que os demais participantes estavam apenas legitimando o que ele chamou de repressão policial contra o grupo acampado no Parque do Cocó. A ex-vereadora Rosa da Fonseca, uma das referências do acampamento, retirou-se da reunião pelo mesmo motivo.

Mandado judicial
Ao fim da discussão, ficou acordado que os manifestantes acampados no Cocó só poderão ser retirados por operação embasada em mandado judicial. E, ao contrário do que houve na madrugada do último dia 8, a Guarda Municipal não vai atuar na desocupação da área. A Polícia Militar é que vai cumprir a determinação judicial. A ideia, contudo, é que a PM só aja depois de esgotada a negociação com os manifestantes.

“O que tentamos estabelecer aqui é que, antes de a Polícia Militar cumprir esse mandado, se sair o mandado, teremos ainda espaço para negociação pacífica, para que os manifestantes se retirem sem que seja preciso usar a força policial”, explicou o promotor José Filho, do Ministério Público Estadual.

Foi acertado também que promotores vão acompanhar a operação policial, que será filmada em toda a sua duração. “O Ministério Público vai acompanhar a retirada do pessoal que está ocupando a área para evitar qualquer excesso de ambos os lados”, disse José Filho.

A participação da Polícia Militar na retirada dos acampados foi o ponto que revoltou Oscar Costa Filho, Rosa da Fonsêca e Maria Luiza Fontenele. “Não iríamos permanecer numa reunião que vai discutir como é que vão nos reprimir”, disse Rosa, depois de deixar o recinto.

“Parece que viemos aqui para discutir como será a repressão. Não é esse o espírito da coisa. Um encaminhamento desses vai legitimar a repressão. O que queremos é que, antes de qualquer medida, abra-se um canal de diálogo”, argumentou Oscar Costa Filho, interrompendo a leitura das recomendações.

Ele protestou com tanta energia que tirou a paciência do promotor José Filho: “Aqui ninguém pode querer ser o dono da verdade. O colega deve entender que, se o mandado judicial vier a cair na mão da Segurança Pública, seja qual for o dia, ela tem o direito de cumprir”.

Com ou sem mandado, os manifestantes permanecerão acampados no Parque, avisou Rosa da Fonsêca. “Nós estaremos lá mantendo nossa posição. E responsabilizamos o prefeito, a Polícia, a Justiça, pelo que vier a acontecer, porque nós estamos no nosso direito”.

O comandante geral da PM, coronel Werisleik Matias, disse, ao fim da reunião: “Queremos deixar claro que não queremos conflito, mas a legalidade do mandado judicial será feita”.

O Povo

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