Motivo de críticas no Governo Federal até por parte de aliados, o aumento do número de estruturas de primeiro escalão é traço em comum entre os três níveis de governo (municipal, estadual e federal). Nós últimos 10 anos, o maior acréscimo de pastas foi na Prefeitura de Fortaleza, que passou de 16 para 27 secretarias. Com base nas publicações em Diários Oficiais e nos registros da biblioteca virtual da presidência da República, O POVO fez levantamento do aumento de secretarias e ministérios, nas três últimas gestões.
Em Fortaleza, da gestão de Juraci Magalhães (à época no PMDB) até a atual administração de Roberto Cláudio (PSB), o número de órgãos administrativos aumentou 68%. No Governo do Estado, da gestão Tasso Jereissati (PMDB) até o governo Cid Gomes (PSB), o aumento foi de 27%. Já no âmbito federal, o crescimento de ministérios e de órgãos e secretarias com status de ministérios foi de 14%, desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB) até Dilma Rousseff (PT).
Fortaleza
O secretário da Controladoria, Ouvidoria e Transparência (Secot), Marlon Cambraia, foi vice-prefeito da gestão de Juraci Magalhães e relaciona a necessidade de aumento nas pastas de administração ao aumento da população. “Tínhamos uma Fortaleza diferente. As outras capitais, na época, também se apresentavam de forma diferente. Os problemas são os mesmos, mas se agravaram”.
O secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog), Philipe Nottingham, defende que a reforma administrativa para a gestão de Roberto Cláudio buscou fazer reajustes nas secretarias sem aumentar os gastos com a máquina pública. “Traçando um paralelo, o Juraci já tinha essa visão. Apesar de ser outra realidade, criou a descentralização, criou as Regionais, foi quem primeiro pensou nisso. A cidade está crescendo e precisamos aumentar a capilaridade, está se tentando construir isso, com o propósito de que a população possa procurar o serviço público”, ressalta Marlon Cambraia.
O presidente do Conselho Regional de Administração do Ceará (CRA), Ilaílson Araújo, afirma que é necessário aos governos estruturarem-se de forma a não buscar resolver apenas o problema no presente, mas projetar os benefícios para que atendam também a gerações futuras.
O Povo

