O governo brasileiro convocou o embaixador na Argentina, Julio Bitelli, para consultas depois de declarações do presidente argentino, Javier Milei, que criticou Lula e afirmou que a esquerda brasileira tenta barrar a candidatura de Flávio Bolsonaro durante um evento do PL. O Itamaraty considerou as falas ofensivas ao presidente brasileiro, ao governo e ao Judiciário. Milei também expressou apoio à candidatura de Flávio e disse que o Brasil precisa “recuperar a liberdade”.
O governo Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, depois de declarações do presidente Javier Milei durante a convenção do Partido Liberal, que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (RJ) como candidato da sigla à Presidência. Milei referiu-se ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “lixo careca”. O Itamaraty considerou as falas uma ofensa aos Poderes Executivo e Judiciário.
Durante o evento, Milei criticou Lula e afirmou que a esquerda brasileira estaria tentando impedir a candidatura de Flávio Bolsonaro. O presidente argentino também declarou que pretende trabalhar para que o senador seja eleito. Disse ainda que o Brasil precisa “recuperar a liberdade”.
Receba nossas atualizações
Durante seu discurso de aproximadamente 30 minutos em São Paulo, o líder argentino contestou a proibição da visita e afirmou que a decisão era uma demonstração de injustiça e do caráter vingativo dos responsáveis. A reação do governo brasileiro partiu do Ministério das Relações Exteriores, que chamou o embaixador Bitelli de volta ao país para prestar esclarecimentos presenciais.
Leia também: “O cerco às urnas”, reportagem publicada na Edição 331 da Revista Oeste
No ambiente da diplomacia, a convocação de um embaixador para consultas é vista como um ato severo, sinalizando insatisfação e desconforto com a postura adotada pela outra nação.
Em julho de 2024, o diplomata já havia dado explicações ao Itamaraty. A medida atual, contudo, é entendida nos bastidores como um posicionamento muito mais rígido do Brasil frente ao governo vizinho.
O STF também se manifestou oficialmente por meio de seu presidente, o ministro Edson Fachin. Em nota, Fachin declarou que as falas de Milei foram uma referência desrespeitosa a um magistrado da mais alta Corte.
Fachin reforçou a autonomia do Judiciário e disse lamentar o episódio, classificando as manifestações como incompatíveis com a civilidade que deve nortear as relações internacionais entre os Estados
+ Leia mais notícias de Política na Oeste

