Eunício lidera lista de políticos que enriquecem em cargos públicos; confira outros políticos

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que viu o patrimônio crescer R$ 62,2 milhões em quatro anos, entre 2010 e 2014, tem a companhia de governadores, senadores e deputados entre os políticos que enriqueceram no exercício dos mandatos. O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, e o deputado Leonardo Quintão (MDB-MG) estão entre os recordistas. Em alguns casos, políticos viram seu patrimônio multiplicado três, cinco, mais de dez vezes, sem considerar a correção dos bens já adquiridos. A variação patrimonial se limita a novos bens adquiridos no exercício dos mandatos.

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(Foto: Agência Brasil)

Os dados – fornecidos pelos próprios políticos à Justiça eleitoral no momento do registro das candidaturas – podem ser consultados rapidamente no site Capital dos candidatos (http://appsanalytics.lsd.ufcg.edu.br/patrimonio), desenvolvido numa parceria do Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande com o Ministério Público da Paraíba. É possível identificar a variação de patrimônio de candidatos a todos os cargos públicos, de presidente da República a vereador.  Em breve, serão incluídas nessa base de dados as relações de bens declarados pelos candidatos às eleições de 2018.

Gráfico disponível no site http://appsanalytics.lsd.ufcg.edu.br/patrimonio

No ranking dos políticos que mais enriqueceram no exercício de mandatos, ninguém perde para o senador Eunício Oliveira (MDB-CE), Em quatro anos, entre 2010 e 2014, seu patrimônio quase triplicou. Cresceu R$ 62,2 milhões, sem contar a valorização de bens no período, e alcançou R$ 99 milhões. Os bens mais valiosos registrados são os 99% do capital da Remmo Participações S.A., que controla a Confederal Vigilância e Transportes de Valores e a empresa Corpvs, avaliados em R$ 19,8 milhões, um saldo na conta do Banco de Brasília de R$ 14 milhões e mais a compra de animais, avaliados em mais de R$ 5 milhões. Oliveira é candidato à reeleição em 2018.

A posse de animais também justifica parte do aumento patrimonial de Marconi Perillo, que declarou R$ 1,3 milhão pela compra de “bovinos, equinos e bufalinos”. O ex-governador chegou a 2014 com um patrimônio de R$ 7,5 milhões, o equivalente a 2,3 vezes o patrimônio que detinha apenas quatro anos antes. A relação de três governadores que mais enriqueceram no período do mandato é completada pelo governador Simão Jatene, do Pará e pelo ex-governador Beto Richa, que, assim como Perillo, renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado em 2018. Os três são do PSDB.

[ads1] Proporcionalmente ao patrimônio que detinha quatro anos antes, o senador Amando Monteiro (PTB-PE) foi quem mais ampliou seu patrimônio, multiplicado em mais de 12 vezes. Monteiro foi presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) antes se eleger senador, em 2010, e agora disputa o governo de Pernambuco. O crescimento foi de R$ 13,6 milhões, até 2014.  Ana Amélia Lemos (PP-RS), cotada para ser vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin ao Planalto, registrou o terceiro maior aumento de patrimônio entre os senadores eleitos.

Na Câmara dos Deputados, o recordista foi Leonardo Quintão (MDB-MG), que viu o patrimônio crescer quase sete vezes em quatro anos, uma variação de R$ 15,2 milhões. Chama a atenção na relação de bens a quantidade de dinheiro espécie declarada pelo deputado: R$ 2,6 milhões, além de uma casa de R$ 10 milhões comprada no Vale do Sereno, em Nova Lima (MG). A atuação de Quintão foi marcada pela relatoria do Código de Mineração, mas o projeto não chegou a ser aprovado na forma que propôs.

Seguem Quintão no ranking de enriquecimento entre 2010 e 2014 os deputados Alfredo Kaefer (PP-PR) e Sérgio Zveiter (DEM-RJ), quando ocupavam seus primeiros mandatos na Câmara. Eles tiveram o patrimônio acrescido em R$ 12,8 milhões e R$ 11,7 milhões, respectivamente.

Há casos de políticos que perderam patrimônio no exercício do cargo. O deputado João Maia (PR-RN) declarou um encolhimento de R$ 11,7 milhões em seu patrimônio e não chegou a ser reeleito em 2014. O ex-governador Confúcio Moura, que renunciou ao governo de Rondônia com planos de disputar o Senado, declarou perda de R$ 2 milhões. Já o senador Eduardo Braga (MDB-PA) declarou uma redução de R$ 5,7 milhões em seu patrimônio entre 2010 e 2014.

O monitoramento da evolução do patrimônio de ocupantes de cargos públicos é uma das medidas propostas no Pacote Anticorrupção lançado pela Transparência Brasil, em parceria com entidades da sociedade civil.

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Por: Agência Contas Abertas. 

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