
Seis meses após o deputado Eudes Xavier (PT) denunciar, na tribuna Câmara Federal, o governador Cid Gomes (PROS) por suposta espionagem contra adversários políticos, os primeiros desdobramentos das investigações começaram a acontecer. Na tarde desta quarta-feira (9), às 15h, o parlamentar vai prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal, em Brasília, sobre a denúncia que fez. O petista será ouvido na qualidade de denunciante/ testemunha.
Eudes recebeu o ofício da Polícia Federal em seu gabinete, na Câmara dos Deputados, no último dia 18 de setembro. Conforme cópia do documento enviado pelo petista ao Diário do Nordeste, o ofício está assinado pelo delegado Luciano Soares Leiro e pede que o parlamentar agende dia, hora local para prestar ser ouvido. Xavier garantiu que essa foi a primeira vez que foi convidado por órgãos fiscalizadores, para falar sobre o caso.
A denúncia
O parlamentar denunciou o governador no último dia 4 de abril. Mostrando cópia de supostos e-mails trocados, Eudes afirmou “ter recebido” uma denúncia, em seu gabinete, de que Cid e seu irmão, o atual secretário estadual da Saúde, Ciro Gomes, teriam contratado a empresa americana “Kroll” para espionar o ex-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR). O republicano é um dos principais desafetos político dos Ferreira Gomes.
Em sua fala, o petista pediu que a presidência da Câmara encaminhasse a denúncia para que o Ministério da Justiça, a Polícia Feral, a comissão de Direitos Humanos da Casa, a Procuradoria Geral da República, a Receita Federal, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Justiça do Ceará investigassem o caso. Apesar de questionado por diversas vezes, o deputado nunca relevou a origem da denúncia.
Cid disse que foi vítima de espionagem
Um dia após Eudes Xavier fazer a denúncia na Câmara Federal, Cid Gomes foi à Assembleia Legislativa se defender das acusações. Na ocasião, o governador negou que tenha mandado espionar adversários políticos e denunciou que ele é que estava sendo vítima de espionagem. Como prova, citou um dos e-mails trocados entre ele e a ex-secretária Especial do Centro de Fortaleza, Luiza Perdigão, que teria ido parar nas mãos da ex-prefeita Luizianne Lins (PT).
Na ocasião, o governador anunciou que a Polícia Civil já estava investigando a denúncia e que o caso tinha sido remetido à Justiça Estadual, que teria autorizado a quebra do sigilo de três IPs (protocolos de Internet) de computadores que estariam envolvidos na espionagem. Um deles, disse, estaria registrado no nome de Roberto Pessoa. Durante operação de busca e apreensão da Polícia Civil, em 10 de abril, o republicano teve um de seus notebooks apreendidos para investigação.
No mesmo dia da apreensão no apartamento de Pessoa, também foram cumpridos outros 12 mandados de busca e apreensão. Um deles, na casa do vereador de Maracanaú Miguel Pessoa (PR), primo do ex-gestor, o qual teve celulares e computadores apreendidos. No último dia 18 de setembro, Roberto recebeu de volta o notebook apreendido há cinco meses. O aparelho foi resgatado na 12ª Unidade do Juizado Especial Cível e Criminal de Fortaleza.
Laudo policial não encontrou vestígios
O titular da unidade e responsável pela expedição dos mandados, juiz Luiz Roberto Duarte, justificou a devolução, alegando que o laudo policial apontou que não foram encontrados vestígios, arquivos ou informações de que a conta do e-mail do governador foi acessada a partir do notebook de Pessoa, contrariando a declaração de Cid Gomes. Os outros equipamentos devem ser devolvidos em breve, pois o processo dos mandados está sendo finalizado.
A diretoria da 12ª Unidade informou ainda que, na semana retrasada, chegou ao órgão o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), com detalhes das investigações feitas pela Polícia Civil a pedidos do governador. As informações, contudo, não podem ser reveladas, pois o processo segue em segredo de Justiça. O órgão afirmou apenas que o processo encontra-se no Ministério Público, pois a promotora Sônia Bandeira pediu vistas.
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