A ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, pode ser chamada para depor sobre o suposto esquema de rachadinha que acontecia no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), na época deputado estadual. A informação foi confirmada à CNN, nesta segunda-feira (05/07), por uma fonte no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).

Áudios publicados pelo portal UOL apontam o envolvimento do presidente Jair Bolsonaro em um esquema ilegal de entrega de salários, popularmente conhecido como “rachadinha”. A ex-cunhada de Bolsonaro, Andrea Siqueira Valle, aparece falando sobre a demissão do irmão, que não queria entregar todos os seus rendimentos ao então deputado federal.
“O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'”, diz ela sobre o irmão (Abaixo os trechos dos áudios).
Será Julgado?
Mas o presidente Jair Bolsonaro, pode ser investigado por essa declaração? A resposta é não! Na Constituição Federal, o artigo 86, §4º, afirma que: “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.” Em outras palavras, o presidente possui um tipo especial de imunidade, a Constituição dar o direito do presidente não ser investigado, e nem julgado, durante mandato por atos praticados antes ser ter sido eleito.
As informações da cunhada de Bolsonaro, não o incrimina no momento, mas tem potencial para complicar a vida do presidente, pois está em um momento politico difícil, além da CPI da pandemia está sofrendo varias entre elas a de propina na compra de vacina, além de protestos de rua em várias cidades do país pela segunda vez em poucas semanas, a ainda tem um monte de processo de pedido de impeachment, inclusive o que foi chamado super pedido. Analistas estão chamando o momento politico de Bolsonaro de “inferno astral”.
Já o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, é investigado pelo Ministério Público (MP) por ter cobrado parte do salário dos seus assessores – quando deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) – como exigência para a efetivação dos funcionários no cargo.
Os áudios da ex-cunhada
Áudios revelados nesta segunda-feira (05.07) apontam uma possível participação do presidente Jair Bolsonaro em um esquema de rachadinha, que consiste no desvio de dinheiro público por meio da retenção de parte dos salários de assessores.
O material foi revelado pela jornalista Juliana Dal Piva, do portal UOL, e ainda não provocou nenhuma reação do presidente da República.
“O André [irmão de Andrea] dava muito problema, porque o André nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver seis mil, o André devolvia dois, três. Foi um tempão assim, até que o Jair pegou e falou: ‘Chega.
Seu irmão, André Valle, foi assessor parlamentar de Bolsonaro entre 2006 e 2007. “Não é pouca coisa que eu sei, não. É muita coisa que eu posso ferrar a vida do Flávio, posso ferrar a vida do Jair, posso ferrar a vida da Cristina. Entendeu? É por isso que eles têm medo e mandam eu ficar quietinha”, afirma Andrea em outro áudio.
“Flávio” é Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente e investigado em um esquema de rachadinha em seu ex-gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj); já “Cristina” é Ana Cristina Siqueira Valle, segunda esposa de Bolsonaro e irmã de Andrea.
Em outro trecho, a ex-cunhada do presidente diz que ficava com apenas R$ 1 mil de seu salário quando era assessora de Flávio.
“Na hora que eu tava aí, que eu tava fornecendo também, e ele também estava me ajudando, lógico, e eu também tava porque eu ficava com mil e pouco e ele ficava com sete mil reais… Então assim, certo ou errado, já foi, não tem jeito de voltar atrás”, afirma.
Entre 1998 e 2018, 18 parentes de Ana Cristina foram nomeados para cargos nos gabinetes políticos da família Bolsonaro. De acordo com o UOL, Andrea fez as revelações a duas pessoas entre 2018 e 2019, sendo que uma delas, sob a condição de anonimato, aceitou mostrar os áudios originais.
Andrea foi assessora de Bolsonaro entre 1998 e 2006; do vereador Carlos Bolsonaro entre 2006 e 2008; e do senador Flávio, então deputado estadual, entre 2008 e 2018.
Ainda segundo o UOL, a defesa da família de Ana Cristina não vai se pronunciar, enquanto o advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef, afirmou que a gravação é “clandestina” e não foi submetida a “perícia”.
“São narrativas de fatos inverídicos, inexistentes, jamais existiu qualquer esquema de rachadinha no gabinete do deputado Jair Bolsonaro ou de qualquer de seus filhos”, declarou.
Wassef é o mesmo em cuja casa foi encontrado, em junho de 2020, o policial aposentado Fabrício Queiroz, suspeito de ligação com milícias e acusado de operar o suposto esquema de rachadinha no antigo gabinete de Flávio na Alerj. (ANSA).
Com informações: Uol

