Embaixador do Brasil voltará à Argentina, mas governo ainda define data | Blogs | CNN Brasil

Após reuniões no Itamaraty e no Palácio do Planalto, o governo decidiu que o embaixador Julio Bitelli retornará à Argentina depois da crise diplomática provocada pelas declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do PL (Partido Liberal) que confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, em São Paulo, no último sábado (25).

A data do retorno do diplomata ao posto em Buenos Aires, contudo, ainda não foi definida. A orientação é desescalar gradualmente a crise com o país vizinho antes de autorizar a volta de Bitelli à Argentina.

De acordo com fontes diplomáticas, apesar da decisão de enviar o embaixador de volta, o Brasil quer reforçar o recado de que não pretende minimizar a gravidade do episódio e considera inadmissíveis ofensas de caráter pessoal. Nesse sentido, quanto mais tempo Bitelli permanecer em Brasília, maior será o sinal da gravidade atribuída pelo governo à crise.

Segundo apurou a CNN, a decisão de autorizar o retorno do embaixador à Argentina foi resultado de reuniões tanto diplomáticas quanto políticas. Um recuo nessa decisão só ocorreria diante de uma nova atitude considerada ofensiva por parte do governo argentino.

Na avaliação do governo brasileiro, uma nova escalada da crise é improvável diante dos sinais emitidos por Buenos Aires de que pretende reduzir a temperatura da relação bilateral.

Ao discursar em apoio a Flávio, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de “lixo careca”.

O episódio abriu uma crise diplomática sem precedentes entre os dois países. O chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para protestar contra a postura do presidente argentino. O embaixador do Brasil na Argentina também foi chamado para consultas em Brasília.

Como mostrou a CNN, muito antes do polêmico discurso de Javier Milei na convenção nacional do PL, o Itamaraty já havia levado à Casa Rosada alertas sobre “linhas vermelhas” que não deveriam ser cruzadas nas falas do líder argentino.

Um dos principais recados enviados pela diplomacia brasileira era de que ofensas pessoais ao presidente Lula e a outros atores políticos — principalmente em território brasileiro — faziam parte da “risca no chão” que não poderia ser ultrapassada para evitar uma crise diplomática.

Mesmo sem uma lista clara das condutas aceitáveis, ficou implícito que eventuais posicionamentos em defesa da liberdade de expressão e do livre mercado, críticas à esquerda e aos riscos do socialismo, gestos de apoio ou até declarações favoráveis à direita no Brasil seriam tolerados.

Veja a matéria completa aqui!

- Publicidade - spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui