
O clima na Assembleia Legislativa ainda é de apreensão com a permanência de manifestantes grevistas das universidades estaduais do Estado, no hall da sede do Poder Legislativo Estadual, pois alguns parlamentares se sentem intimidados e até desconfortados com o movimento. Na manhã de ontem, mais uma vez, os ocupantes do espaço foram ouvidos pelo líder do Governo, José Sarto (PROS) e pelos deputados Eliane Novais (PSB) e Antônio Carlos (PT). Esses, inclusive, levaram o tema para a tribuna do plenário.
O deputado Tin Gomes (PHS) esclareceu conversa mantida ontem com os grevistas orientando-os a não avançarem além do que já foi ocupado, não só para garantir que ele tenha espaço de negociações com o Governo, para antecipar a audiência reclamada por eles, como também para evitar reação da segurança da Casa.
Na sessão de ontem, poucos foram os deputados que participaram dos trabalhos. O painel eletrônico registrou durante todo o expediente da sessão somente 22 presenças de um total de 46 parlamentares, no entanto, em plenário estavam presentes entre seis e oito deputados. Já no início da sessão, cinco dos seis oradores não estavam presentes ou desistiram de suas falas, o que, inclusive ocasionou mal estar entre os que queriam fazer uso da palavra.
Manifesto
José Sarto, Fernando Hugo e Manoel Duca estavam em plenário, mas, apesar de inscritos, não quiseram se pronunciar. Rachel Marques e Delegado Cavalcante eram outros que registraram o uso da palavra, mas não estavam presentes. Este último reclamou da situação e chegou a dizer que estava havendo uma manobra para evitar a fala de parlamentares, o que foi desmentido pelo presidente da sessão, Tin Gomes (PHS).
Durante a sessão ainda, o deputado Antônio Carlos leu na íntegra um manifesto em apoio aos estudantes, professores e servidores das universidades em greve, que, inclusive, foi assinado por ele e por Eliane Novais, Delegado Cavalcante, Heitor Férrer e Fernanda Pessoa. Nele é destacado os problemas enfrentados pelos grevistas, solicitando ainda um diálogo mais próximo com o governador do Estado, Cid Gomes, para que o movimento paredista seja findado.
“Abra negociação com os estudantes, professores e técnicos. Nós nos dirigimos para abrir a pauta de reivindicações. Esta é uma exigência que não deveria ser polêmica. Ademais, as dificuldades que passam as universidades merecem atenção imediata do Governo”, dizia o manifesto.
Negociação
“Desde a tarde de 27 de novembro, o movimento grevista realiza uma ocupação pacífica nas dependências da Assembleia Legislativa, buscando sensibilizar o Governo para a necessidade de abrir esta mesa de negociação o mais brevemente possível. Nós apoiamos esta solicitação e juntamos nossa voz à dos professores, servidores técnicos-administrativos e estudantes, certos de que o Governador Cid Gomes não se negará a este gesto democrático”, disse o deputado.
Dentre as reclamações e reivindicações da ocupação na Assembleia, que já vai para o quarto dia, estão a falta de professores para a maioria dos cursos, assim com de servidores, além da baixa remuneração dos bolsistas. Eles pedem a realização de concurso público para professores e técnicos administrativos, a regulamentação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) e uma política de assistência estudantil para todos que integram a UECE, UVA e Urca.
Na manhã de ontem, houve um princípio de tumulto, pois os manifestantes estavam expondo fotos e imagens no espaço da sede do Poder Legislativo, o que foi confrontado pelo vice-presidente da Casa, Tin Gomes. A deputada Eliane Novais levou o tema para a tribuna e pediu, mais uma vez, que o diálogo entre Governo do Estado e universidades acontecesse. Ela ainda disse que não havia mal algum na exposição feita pelos estudantes que ocupam parte da Assembleia Legislativa.
“Não vejo problemas de estarem expostas aqui. Queremos que a manutenção de ir e vir também seja respeitada e que não haja retaliação, porque eles estão querendo mesmo é o diálogo com o governador e com a Mesa Diretora dessa Casa. Quero pedir paciência aos grevistas, e uma postura aos docente”, disse. Tin Gomes disse que, quando percebeu que os estudantes estavam querendo “mudar” as galerias da Casa, pediu para eles não criarem uma barreira entre parlamentares e Governo. “Se eu fosse questionado de maneira imprópria, eu não receberia eles. Não adianta isso. Agradeço ao presidente da Casa por ter tido a gentileza e o respeito de cumprir o que acordamos com os manifestantes. Só não deve-se puxar a corda”, disse ele. Teve deputado, inclusive, que afirmou ter receio da presença dos manifestantes, pois achava “constrangedor” ver os jovens deitados no chão.
No dia anterior o deputado José Sarto, líder do Governo, garantiu a audiência dos grevistas com o governador Cid Gomes, sem limitação de tempo, para discutirem todas as reivindicações. Eles querem a audiência já. Segundo ainda o líder governista, a greve está prejudicando um expressivo número de estudantes das universidades estaduais, tendo em vista que eles aguardam o reinício das aulas para concluírem seus cursos e ingressarem de logo no mercado de trabalho, disse o líder, em seu pronunciamento.
Diário do Nordeste

