Deputados do PMDB-CE cobram retribuição do governo

Feitoza quer mais rapidez na liberação de emendas parlamentares (FOTO: LUIZ ALVES/AGÊNCIA CÂMARA)

Enquanto o Palácio do Planalto tenta conter motins do PMDB na Câmara dos Deputados, a exemplo do que gerou assinaturas para abrir a CPI da Petrobras, e garantir a aprovação de Medidas Provisórias de interesse especial, como a que reduz tarifas de energia elétrica, peemedebistas cearenses cobram do governo Dilma Rousseff uma retribuição maior ao partido companheiro.

“O PMDB, por ser um aliado de primeira hora do governo, entende que todo mundo deve estar junto para apoiar a presidente Dilma. Mas também é preciso a presidente entender que o deputado não pode estar de pires na mão o tempo todo”, diz o deputado federal Mário Feitoza.

Outro deputado, Danilo Forte, escolhido relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, pede mais recursos nos ministérios controlados pelo PMDB. “O Brasil está se preparando para os maiores eventos do mundo e não temos o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Turismo. O Brasil quer ser o maior produtor de alimentos do mundo e não temos um PAC da agricultura”. lamentou.

Emendas
Quando fala em ficar de “pires na mão”, Feitoza refere-se às emendas parlamentares, com as quais deputados ajudam a financiar obras e projetos tocados por prefeitos aliados. Cada deputado e senador pôde incluir no Orçamento de 20013 R$ 15 milhões em emendas. A liberação do dinheiro fica a cargo do governo. Segundo Feitoza, dos R$ 6 milhões programados para ele no ano passado, o governo só liberou R$ 500 mil, que o deputado destinou ao município de Horizonte.

“Este ano me deram 10 milhões de programação mas até agora nenhum centavo foi liberado. A gente fica dependente. O Legislativo merece o respeito devido. Não estamos ali só para votar as MPs do governo”.

Segundo Feitoza, o pedido de CPI da Petrobras, por ora engavetado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), não constitui instrumento de pressão do PMDB, embora tenha sido apresentado pelo peemedebista Leonardo Quintão (MG) e subscrito por 52 dos 82 deputados do partido na Câmara. “O caso da Petrobras não é um revide. É um caso real pelo qual a empresa está passando, com prejuízos e pontos do plano estratégico que não estão vingando. É preciso saber o que está acontecendo com a Petrobras”.

Para Danilo Forte, “temos espaços no governo que precisamos valorizar”, como os ministérios do Turismo e da Agricultura, comandados pelos peemedebistas Gastão Vieira e Antônio Andrade, respectivamente. “O PMDB é o maior do País, com uma bancada expressiva de deputados, a segunda bancada de senadores, uma bancada de governadores importantes. O governo precisa entender que são pessoas que têm contribuições a dar”.

O Povo

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