O artigo de Alex Pipkin discute como as instituições moldam o caráter de uma nação, enfatizando que a pedagogia silenciosa delas define comportamentos sociais. Ele argumenta que a sociedade tende a recompensar comportamentos que considera normais, como a proximidade do Estado em detrimento do mercado, o que prejudica a inovação e a produtividade. O autor destaca que o crescimento econômico é fundamental para sustentar aspirações sociais e que políticas redistributivas só são sustentáveis com riqueza previamente cri
Alex Pipkin*
Toda sociedade forma seus cidadãos. A escola participa desse processo. A família também. Mas quem realmente molda o caráter de um país são as instituições. Elas não ocupam salas de aula, não escrevem livros nem fazem discursos. Ensinam de uma forma muito mais profunda, premiando determinados comportamentos e desestimulando outros. Essa é a pedagogia silenciosa que, sem alarde, acaba definindo o futuro de um Estado.
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Essa é uma das leis mais importantes da vida em sociedade e, paradoxalmente, uma das menos percebidas. Pessoas respondem a incentivos; empresas respondem a incentivos, e governos também. Com o tempo, uma sociedade inteira passa a considerar naturais os comportamentos que mais compensam.
O esforço floresce quando encontra recompensa. A poupança cresce onde existe confiança. A inovação prospera quando assumir riscos deixa de significar insegurança permanente. O investimento surge como consequência quando produzir riqueza se torna mais vantajoso do que disputar privilégios. Nenhuma dessas escolhas nasce dos discursos. Elas decorrem dos incentivos que as instituições criam e preservam.
O processo inverso é igualmente poderoso. Sempre que o privilégio oferece mais retorno do que o mérito, a proximidade do poder vale mais do que a proximidade do cliente e a dependência parece mais segura do que a iniciativa, esses comportamentos deixam de ser exceções. Repetem-se, consolidam-se e acabam transformando-se em cultura.
É justamente nesse ponto que o Brasil perdeu o rumo.
Durante muito tempo construímos um ambiente em que a proximidade do Estado frequentemente produziu retornos maiores do que a proximidade do mercado. Em vez de recompensar de forma consistente a produtividade, a inovação e a competição, muitas vezes premiamos proteção, influência e privilégios. Ao mesmo tempo, um sistema tributário complexo e a insegurança jurídica transformaram a rotina de quem produz em um exercício permanente de adaptação. Nenhuma sociedade passa ilesa por uma pedagogia dessa natureza.
Reduzimos o crescimento econômico a um tema de economistas e concentramos o debate na distribuição da riqueza, relegando sua criação a um plano secundário.
No entanto, é justamente o crescimento que sustenta praticamente todas as aspirações de uma sociedade. Saúde, educação, segurança, infraestrutura, ciência, mobilidade social e proteção aos mais vulneráveis dependem, antes de tudo, da capacidade permanente de produzir riqueza.
Mesmo quem defende um Estado mais atuante depende dessa realidade. Não existe política redistributiva sustentável sem riqueza previamente criada. Não existe prosperidade duradoura sem formação de capital. Antes de repartir, alguém precisa produzir. Antes de prometer, alguém precisa gerar.
Sempre que a política tenta ocupar o espaço dos incentivos que produzem riqueza, a escassez acaba tomando o lugar da abundância.
O Brasil não sofre pela falta de diagnósticos. Há muito tempo sabemos, em linhas gerais, quais instituições distinguem as sociedades que prosperam daquelas que permanecem estagnadas. O verdadeiro desafio é construir regras que recompensem, de forma consistente, o trabalho, a responsabilidade, o investimento, a inovação, a produtividade e a criação de valor, mesmo quando seus resultados exigem tempo para aparecer.
A política vive pressionada pelo curto prazo. A prosperidade exige continuidade. É nesse desencontro de calendários que tantas sociedades desperdiçam o próprio futuro.
Instituições moldam comportamentos. Comportamentos repetidos ao longo das gerações também remodelam instituições. É assim que se constroem os círculos virtuosos da prosperidade e, da mesma forma, os ciclos persistentes da estagnação.
Um país não é definido pelos discursos que faz sobre si mesmo. É definido pelos comportamentos que aprende a considerar normais. Essa é a verdadeira pedagogia das instituições. Elas não ensinam pelo que dizem, mas pelo que recompensam.
Toda sociedade acaba ensinando exatamente aquilo que decide recompensar.
* Alex Pipkin é PhD em Administração, consultor empresarial, articulista do Instituto Liberal e autor do livro As Falácias do Coletivismo – O Resgate do Liberalismo no Brasil

