A decisão da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, de abrir uma investigação contra a CazéTV por suposta publicidade irregular de casas de apostas durante a Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma onda de críticas de políticos, jornalistas e influenciadores.
Além de acusarem o governo federal de adotar um tratamento seletivo contra o canal comandado por Casimiro Miguel, parte dos críticos sustenta que a medida teria como finalidade beneficiar a Globo, suposta aliada do governo e principal concorrente da CazéTV na disputa pela audiência das transmissões do Mundial.
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CazéTV: alvo de conservadores
O principal argumento é que a CazéTV não é a única plataforma a exibir publicidade de empresas de apostas. Globo, SBT, clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro e diversos atletas também mantêm contratos de patrocínio com o setor, o que levou à cobrança por critérios uniformes de fiscalização.
Nas redes sociais, a repercussão ganhou contornos políticos. Parlamentares e influenciadores ligados à direita passaram a lembrar que Casimiro declarou apoio ao presidente Lula da Silva na eleição de 2022 e ironizaram o fato de o canal ter se tornado alvo de uma investigação do próprio governo.
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O deputado federal Mario Frias (PL-SP) afirmou que Casimiro apoiou Lula, investiu na compra dos direitos de transmissão da Copa e acabou sendo alvo da administração que ajudou a eleger. Já o deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) disse admirar o trabalho do influenciador, mas afirmou que o episódio demonstraria as consequências de seu apoio político ao atual presidente.
Além de parlamentares, jornalistas e influenciadores também criticaram o foco exclusivo da investigação. O ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida classificou como “seletiva” a indignação voltada apenas contra a CazéTV e defendeu que qualquer regulamentação seja aplicada de forma igual a todos os veículos e plataformas que promovem publicidade de apostas.
A influenciadora Soninha Francine destacou que o mercado esportivo brasileiro é amplamente financiado por empresas de apostas, citando o patrocínio a clubes, campeonatos, atletas e narradores esportivos. O jornalista Rodrigo Capelo também questionou por que apenas a CazéTV estaria sendo cobrada, lembrando que outras emissoras detentoras dos direitos da Copa igualmente exibem publicidade do setor.
Em vídeo publicado depois da repercussão do caso, Casimiro afirmou que a CazéTV irá adequar suas transmissões às exigências apresentadas pela Senacon. Segundo ele, o canal adotará um modelo mais restritivo para ações comerciais envolvendo empresas de apostas, ressaltando que pretende cumprir integralmente a regulamentação vigente.
A investigação da Senacon concentra-se especialmente nas chamadas “odds turbinadas” e em ações promocionais realizadas ao vivo durante as partidas, que, segundo o órgão, podem representar incentivo excessivo às apostas esportivas.
Enquanto o governo afirma atuar na defesa do consumidor e no cumprimento da legislação, críticos sustentam que a iniciativa cria uma distorção concorrencial ao concentrar a fiscalização sobre um único veículo, alimentando a percepção de favorecimento à principal emissora concorrente nas transmissões da Copa do Mundo.
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