Cid defende escolha de desembargador e nega que parentesco tenha peso

Cid Gomes e o presidente do TJ-CE, Gerardo Brígido, na posse de novos desembargadores (FOTO TATIANA FORTES/O POVO)

O governador Cid Gomes (PSB) defendeu a escolha do advogado Paulo Airton Albuquerque para a vaga de desembargador no Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) e negou que o parentesco tenha pesado na definição. Ele ressaltou ainda a prerrogativa que tem de indicar qualquer dos nomes da lista tríplice. “Se a lei faculta ao governador escolher, é porque o processo é assim”, disse ontem, na sede do TJ-CE, durante cerimônia de posse de dois outros desembargadores: Raimundo Nonato Silva Santos e Lisete de Sousa Gadelha – o primeiro por critério de merecimento, a segunda, por antiguidade.

O governador comentou a crítica feita por Gina Vidal Marcílio Pompeu, que havia sido a mais votada entre os advogados, na eleição realizada pela Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), e, também, na definição da lista tríplice pelo Tribunal de Justiça. Ao saber que o governador escolhera Paulo Airton, ela escreveu em seu perfil no Facebook que “pressões políticas foram mais fortes que a meritocracia democrática”.

“Mérito é uma coisa que a gente tem muitas formas de discutir. Mérito, o que seria? (Ser) o mais votado na relação dos advogados? O mais votado na relação do colegiado? O mais votado na relação dos desembargadores? Tenha a santa paciência”, reagiu Cid.

O governador minimizou a importância do parentesco de Paulo Airton com o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PSB), salientando que, na lista tríplice da qual ele escolheu o novo desembargador, que além de Gina Vidal tinha o advogado Virgílio Nunes Maia, Paulo Albuquerque não era o único com parentes influentes.

“Se for questão de parentesco, tínhamos na lista três parentes. A Gina é sobrinha, prima de pessoas influentes, importantes de Fortaleza. O Virgílio é irmão de um ministro do Superior Tribunal de Justiça. E o Paulo Airton, que foi nomeado, é primo do presidente da Assembleia. Então parentesco todos têm”, afirmou o governador.

Segundo Cid, sua escolha por Albuquerque passou pela consulta a várias pessoas. “Eu não conhecia a intimidade dos candidatos. Procurei ouvir muita gente, e aquele que reuniu, dentre as pessoas que consultei, a preferência, foi o que eu, pela prerrogativa que a lei me faculta, escolhi”, finalizou o governador.

Processo de escolha

Gina Pompeu foi a primeira colocada na eleição em que 3.802 advogados de todo o Ceará votaram para escolher quem dos 21 candidatos preencheria a vaga no TJ-CE destinada a membros da advocacia. Paulo Albuquerque ficou em segundo. Dessa etapa restaram 12 candidatos, que na sequência foram sabatinados pelo conselho da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE). A lista foi então reduzida para seis candidatos. Destes, três restaram após eleição entre os desembargadores do Tribunal. Nesta fase, Gina foi novamente a mais votada, enquanto Paulo Albuquerque e Virgílio Maia empataram na segunda colocação. Coube ao governador escolher entre os três. A posse de Paulo Albuquerque está marcada para 8 de agosto.

O Povo

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