Cid admite agenda particular em viagem e deputado diz ser confissão de improbidade

A declaração foi dada pelo governador em seu Twitter. Para Heitor Férrer, trata-se de confissão de improbidade e, por isso, ingressará com representação no Ministério Público Estadual (Foto: Viviane Pinheiro/Diário do Nordeste)

Após o governador Cid Gomes (PSB) admitir ontem, em seu microblog Twitter, que incluiu compromissos pessoais em viagem oficial à Europa, o deputado estadual Heitor Férrer (PDT) afirmou que entrará com representação no Ministério Público Estadual. Na opinião de Heitor Férrer, o governador confessou improbidade. Na segunda-feira, o deputado se reunirá com sua assessoria para tomar a providência.

Ontem pela manhã, Cid bateu papo com internautas pelo twitter. Ao ser questionado pelo repórter Carlos Mazza, do O POVO, sobre a agenda durante os 11 dias na Itália, respondeu: “Parte da minha agenda foi de eventos oficiais e que estão publicados no Diário Oficial. Outra parte foi particular, sem pagamento”. Em seguida, afirmou: “Eu sou de carne e osso e fisicamente preciso, vez por outra, de um descanso…”.

A também jornalista do O POVO, Hébely Rebouças, perguntou ao governador se ele não deveria ter comunicado à Assembleia Legislativa (AL) e à população que tiraria período de descanso. Cid limitou-se a dizer que quem assumiu o Governo no período foi o presidente da AL, deputado estadual Zezinho Albuquerque.

Os jornalistas questionaram ainda se o momento era propício para a ausência, considerando que a própria presidente Dilma Rousseff (PT) cancelou viagem ao Japão por causa dos protestos. “Faça o seu juízo…”, disse Cid Gomes. O período de 12 dias ausente do Estado foi alvo de polêmica na Assembleia por causa da falta de esclarecimentos dos compromissos realizados. Heitor Férrer chegou a apresentar requerimento solicitando que o governador apresentasse relatório detalhado sobre a viagem oficial.

Ontem, Heitor reforçou o que considera grave: “A viagem foi mais a passeio do que para agenda do Estado. O principal virou acessório, porque o compromisso oficial foi de um, dois dias e o restou virou lazer”. Para ele, os gestores têm que entender que não vivemos em monarquia. “O que é público tem que ser transparente e tem que ser dada a participação. Teria sido simples comunicar o descanso à Assembleia e ter viajado à sua expensa. Há enriquecimento ilícito, porque gozou do passeio não às suas expensas, mas à expensa do Poder Público”.

Mudança

Atualmente, o governador não precisa submeter nenhum documento oficial solicitando autorização do Legislativo quando vai se ausentar do Estado ou do País. Em 2009, a Assembleia aprovou uma emenda à Constituição estadual, pela qual o governador precisava pedir autorização apenas para ausências superiores a 15 dias.

No início deste ano, um decreto legislativo da Casa deu autorização prévia para viagens do governador até dezembro deste ano, por qualquer período. Contudo, a polêmica em torno da viagem gerou desgastes. O deputado estadual Heitor Férrer, que apresentou requerimento cobrando detalhes da viagem do governador, afirmou que vai esperar que a Assembleia se posicione até a próxima terça-feira, dia 16. “No setor público, a coisa é tão frouxa, que o governador, a pretexto de um turismo, inseriu um compromisso oficial”.

O Povo

- Publicidade - spot_img