Nikolai Patrushev não desembarca à toa em nenhum país. Ex-chefe do FSB e ainda uma das mentes mais frias da cúpula de Putin, sua passagem por Brasília nos primeiros dias de agosto não teve nada de protocolar: veio negociar dependências, e o silêncio constrangedor do imprensa autoproclamada “profissional” sobre o episódio já diz muito sobre o desconforto que a pauta provoca.
Coincidência ou não, a agenda de Patrushev se cruzou com a maior chuva de mísseis balísticos já lançada por Moscou contra Kiev em muito tempo — prova de que, para o Kremlin, diplomacia e guerra caminham de mãos dadas, nunca em sequência. Especialistas em defesa já especulam que a Rússia busca no Brasil uma saída prática: usar navios de bandeira brasileira para escapar do cerco às suas exportações, contornando sanções sem sujar as próprias mãos. O custo desse favor, se vier a se confirmar, seria pago pela credibilidade e pela neutralidade que o Brasil levou décadas para construir.
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E é justamente nesse momento que Washington resolveu falar mais alto. Serviços de Inteligência norte-americanos revisaram, pela primeira vez, a avaliação de que Putin evitaria provocar diretamente a Otan enquanto a guerra na Ucrânia seguisse em curso. Agora acreditam no oposto: que Moscou pode testar o artigo 5º da aliança dentro de semanas, por meio de um ataque cibernético ou de uma incursão terrestre limitada, num cenário que se estende deste outono até 2029, aproveitando-se inclusive da escassez de munições que atinge o Ocidente. É o que informam jornais como o norte-americano The Wall Street Journal e o britânico The Telegraph.
Brasil submisso ao Kremlin
É o retrato acabado da Guerra Fria 2.0: alianças se redesenham, potências testam limites, e o Brasil — em vez de reforçar sua independência estratégica — escolhe estreitar laços com quem hoje ameaça abertamente a ordem internacional. O Descondenado-em-chefe não afunda o geopoliticamente o país por acaso. Afunda-o por afinidade.
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