Aliados temem revogação de domiciliar após PM apreender arma de Bolsonaro

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) temem a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente depois que a Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu, durante uma blitz, uma arma de fogo registrada no nome do dirigente de direita.

Segundo parlamentares da oposição ouvidos pela CNN, a avaliação é que decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) têm sido desfavoráveis a Bolsonaro, o que aumenta a apreensão dentro do grupo.

Reservadamente, integrantes do entorno do ex-presidente afirmam que “tudo pode acontecer” diante do novo episódio. Eles citam como exemplo decisões tomadas pelo Supremo ao longo das investigações e do julgamento envolvendo Bolsonaro. Os aliados também têm reforçado críticas à atuação da Corte, argumentando que o país vive um “Estado de exceção” e que o ministro Alexandre de Moraes atua como um “agente político”.

 

Deputados da oposição reforçaram nesta quarta essa percepção. Em coletiva no Congresso, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), alegou que Moraes “persegue” a família de Bolsonaro e tem atuado em várias frentes no Supremo. O deputado citou ainda a condenção do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no curso do processo que apurou uma tentativa de golpe de Estado no Brasil.

“Infelizmente o STF insiste em persegui-lo. Muitos inocentes foram presos, e o juiz Moraes fez todos os papéis: vítima, acusador, processador”, disse o congressista.

Os aliados insistem que, mesmo depois da apreensão da arma, “não há motivo” para que a Corte mude a decisão sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária temporária em sua casa, em Brasília, desde março. A medida foi concedida devido a problemas de saúde do político. O prazo de 90 dias para que o Supremo reavalie a medida termina em 25 de junho.

Defesa esclarece apreensão de arma

Em esclarecimento enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a defesa de Jair Bolsonaro admitiu que a arma apreendida em blitz pela Polícia do Distrito Federal de fato pertencia ao ex-presidente.

Os advogados, porém, disseram que Bolsonaro teria pedido a um segurança de sua equipe que levasse o equipamento para “manutenção”, após o ex-presidente identificar uma “falha”.

Segundo a defesa, integrantes da equipe de segurança de Bolsonaro decidiram, sem conhecimento prévio do ex-presidente, retirar o percussor da arma, peça essencial para o disparo. Isso porque o ex-mandatário faz uso de medicamentos psiquiátricos que afetam sua cognição, o que poderia causar um acidente.

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