Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seguem confiantes de que ele conseguirá manter a prisão domiciliar, apesar do episódio envolvendo a apreensão de uma arma registrada em seu nome ter gerado dúvidas sobre a continuidade do regime concedido em março.
Entre os aliados, o argumento central para a manutenção da prisão domiciliar passa por questões de saúde, idade e aspectos humanitários. Durante o Live CNN desta segunda-feira (22), a analista de Política Isabel Mega relatou ter conversado com Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados.
O parlamentar reforçou a visão de que o cenário não deve sofrer qualquer tipo de alteração. “Eu não acredito que nem Alexandre de Moraes, nem o Supremo Tribunal Federal vão querer conviver com os riscos de vida ao ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirmou Sóstenes para a analista da CNN.
Mega observa que, ainda assim, não se espera que a prisão domiciliar seja mantida indefinidamente. A expectativa é de uma eventual renovação do regime, mas com prazo determinado, sem garantias de que Bolsonaro permanecerá em casa por tempo indeterminado.
A situação envolvendo a arma apreendida, às vésperas do fim desse prazo de 90 dias da prisão domiciliar, ainda não está completamente esclarecida.
De acordo com a analista, investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal devem se deslocar até a residência do ex-presidente nesta terça-feira (23) para colher seu depoimento. “Justamente porque ele está impossibilitado de usar aparelhos como um celular, então não dá para fazer [o depoimento] de forma digital”, acrescentou Mega.
Articulação política
A mudança da Papuda para a prisão domiciliar, autorizada em março, trouxe alterações significativas na rotina política de Bolsonaro. A analista lembra que na penitenciária ele recebia uma “peregrinação de aliados”, enquanto na prisão domiciliar o acesso é restrito exclusivamente a familiares. Nenhum outro aliado conseguiu se aproximar do ex-presidente nesse período.
Diante dessa restrição, os recados políticos passaram a ser transmitidos principalmente por duas pessoas: Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro, e pelo filho Flávio, pré-candidato do PL à presidência da República.
“Isso tem um efeito também porque há uma dualidade, um antagonismo muitas vezes, em relação ao que pensa Michelle e o que pensa Flávio sobre a distribuição de cargos que o PL está almejando em relação às campanhas em alguns estados”, destacou Mega.
Diante disso, a forma como Bolsonaro cumpre sua pena teria, segundo Mega, impacto direto na mobilização das peças do tabuleiro eleitoral de seu campo político.

