SANTANA DO CARIRI: Sensação de insegurança intranquiliza a população

O quadro de insegurança pública, presente em Fortaleza, alastra-se pelo interior à medida que crescem os índices de criminalidade nas pequenas e médias cidades do Ceará. Exemplo disso vem acontecendo no município de Santana do Cariri. Com uma população de pouco mais de 17 mil habitantes, e fazendo fronteira com o Estado de Pernambuco, a cidade conta com apenas uma viatura da Polícia Militar.

O detalhe é que o veículo está abandonado em uma oficina da Prefeitura Municipal, sem a menor condição de uso. Por ser um município limítrofe, a incidência de drogas é altíssima, e, no rastro dos entorpecentes, crimes como furtos a estabelecimentos comerciais, agência dos correios e residências vêm crescendo.

Para piorar, a cidade está sem uma delegacia de Polícia, já que a reforma no prédio, iniciada pelo governo do Estado, está há dois anos paralisada. Não há telefone no prédio onde funciona a delegacia improvisada, cuja sede é uma casa alugada sem a mínima estrutura de funcionamento. Os detentos, em caso de prisões em flagrantes, têm que ser conduzidos para as cidades de Nova Olinda e Altaneira, ambas distantes 13 quilômetros de Santana do Cariri.

Já a viatura do programa Pró-Cidadania, que deveria dar apoio às ações policiais, encontra-se com pneus furados e parada em frente à casa que serve como delegacia. O resultado é que a Polícia Militar tem que fazer rondas e diligências em um veículo cedido pela Prefeitura. Os policiais militares, para atender as ocorrências, estão passando o número de seus telefones celulares aos moradores.

À luz do dia
Uma comerciante local, que não quis se identificar, disse que é muito preocupante a sensação da insegurança no município. “A população não tem sossego, vive intranquila, com medo”.

Ela denuncia que os comerciantes estão sendo alvo dos assaltantes em plena luz do dia. “Em meu estabelecimento, fui vítima de um assalto a mão armada. Entraram em minha loja, escoraram um revólver em mim e na minha funcionária, enquanto o bandido nos ameaçava de morte o tempo todo”. Ela diz que levaram uma boa quantia em dinheiro e teme pelo futuro de seu negócio. “Não só eu, mas se a situação persistir, os comerciantes podem fechar as suas portas”.

População apavorada
Já a prefeita de Santana do Cariri, Danieli Machado, enfatizou que a população está apavorada “porque as gangues já estão dominando a sede e a zona rural do município”. Ela diz que, sem uma ação enérgica da Polícia, a onda de assaltos não tem como ser debilitada. “Está faltando uma cadeia pública. A viatura está sucateada e parada na garagem da Prefeitura porque não tem mais condições de tráfego, e a outra viatura, do programa Pró-Cidadania, também encontra-se parada porque os pneus estão furados”.

Danieli se queixa, ainda, das condições de trabalho dos policiais. “O prédio onde funciona a unidade policial está sem a mínima estrutura, não tem conforto, os policiais não têm sequer um telefone fixo para atender as demandas da população”. A prefeita diz que já mandou um ofício ao secretário de Segurança Pública do Estado, solicitando melhorias no setor e mais duas novas viaturas. “Até o momento, não tivemos nenhuma resposta do governo Estadual. O clima na cidade é de revolta, e pretendemos fazer uma audiência pública com a sociedade para discutirmos este assunto”.

O Estado

- Publicidade - spot_img