A Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap), do Ministério Público Estadual, solicitou ontem a prorrogação da prisão de cinco acusados na Operação “Vil Metal”. Na última terça-feira, foram decretados 28 mandados de prisão temporária, por suposto esquema de fraude em licitações e desvio de dinheiro público em São Gonçalo do Amarante, que teriam ocorrido em gestões passadas, entre 2007 e 2011. Vinte e cinco pessoas foram presas.
De acordo com o promotor Eloilson Landim, os mandados de prisão temporária teriam duração de cinco dias, podendo ser complementados por mais cinco. Todos os 25 presos, entre ex-gestores, engenheiros, advogados e empresários, já foram ouvidos.
Mas, conforme Landim, alguns documentos ainda precisam ser analisados e, por isso, há necessidade de prolongar a prisão de cinco dos presos, que não tiveram os nomes divulgados, a fim de preservar a investigação.
Prejuízo
O prejuízo aos cofres de São Gonçalo teria chegado a R$ 3,4 milhões, mas, conforme o MPE, o suposto esquema afeta 23 municípios, o que pode ter gerado rombo de até R$ 30 milhões.
Eloilson Landim explica que sete empresas envolvidas teriam sido contratadas em certames de outros 22 municípios, além de São Gonçalo do Amarante, e o Ministério Público tem dado sequência às investigações. “A gente tem que analisar cada contrato desses municípios”, afirmou.
Dois acusados continuam foragidos e um terceiro, que não chegou a ser preso, obteve ontem habeas corpus, junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE). A decisão foi do desembargador Francisco Gomes de Moura e beneficia o advogado José Jackson Nunes Agostinho. Segundo Eloilson, Jackson era contratado para prestar assessoria jurídica ao Município.
Conforme Paulo Quezado, advogado de José Jackson Nunes, não houve fundamentação para o pedido de prisão. “Para que uma prisão exista, ela precisa ser fundamentada e motivada. O rapaz não deu causa. Ele era um procurador que dava parecer técnico”, argumentou Quezado. Ele acompanha “uns quatro ou cinco” acusados da operação “Vil Metal” – incluindo o ex-prefeito, Walter Ramos de Araújo (PR), que está preso -, mas não divulgou informações, alegando que o processo corre em segredo de justiça.
O Povo

