
Mesmo com os altos índices de violência ou qualquer tipo de perigo aliado à profissão, concurseiros no Brasil não desistem de fazer carreira policial. E as mulheres estão cada vez mais inseridas no universo policial, antes caracterizado como tipicamente masculino.
Drielly Mesquita, 31 anos, é publicitária, mas desde o final da faculdade traça como meta de vida se tornar uma agente da Polícia Federal. A iniciativa de estudar para concurso público foi desencadeada pela instabilidade no mercado de trabalho. “Além da questão da estabilidade financeira, vi depois que (a profissão) casava com minha personalidade de ser proativa e determinada. Minha filosofia de vida é tentar até passar”.
Embora foque na Polícia Federal, não descarta tentar uma vaga na Polícia Rodoviária Federal (PRF) ou na Polícia Civil. O importante é enveredar na carreira policial. A preferência pela PF, diz, se deve à imagem positiva e ao trabalho que a corporação desempenha. “Acho que sempre tive essa ideia de justiça e a Polícia Federal é muito respeitada, passa a imagem de ser idônea e correta no meio da corrupção”.
Para alcançar o objetivo, Drielly mantém uma rotina de estudos de quatro horas por dia, todos os dias, dividida entre a sua casa e a biblioteca da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Para a publicitária, a carreira policial tem atraído muita gente – mesmo diante de todos os perigos iminentes – devido ao respaldo ou status que a profissão confere, à estabilidade financeira, assim como pela vontade de promover justiça. “A Polícia passa como a autoridade que pode fazer isso (justiça) melhor”. A Polícia Federal, acrescenta, não age ostensivamente, não há embate corporal”, mas lida com crimes cometidos por pessoas com notoriedade.
Presença feminina
Sobre a crescente participação das mulheres nos cursos preparatórios da polícia, acredita que se deve à própria mudança do lugar delas na sociedade. “Tem a ver um pouco com o empoderamento das mulheres e com a ideia de que lugar de mulher é onde ela quiser, realizando qualquer função”. Há 12 anos lecionando em cursinhos preparatórios de Fortaleza, Leite Junior garante que nos últimos três anos a busca do público feminino por concursos para a Polícia vem crescendo cada vez mais. “No concurso da PM teve até aumento de solicitação do número de vagas pras mulheres”, diz.
Professor de Direito Penal e Direito Processual Penal do CERS Cursos Online, Geovane Moraes estima que metade das turmas para as quais dá aula na área policial é formada por mulheres. E é taxativo: “lugar de mulher é na Polícia”. Segundo ele, certos atributos fazem da mulher o melhor perfil para a carreira. “Mulher se adequa mais, é mais intuitiva, perspicaz e organizada. E os cursos de formação mudaram; não precisa mais da força física”.
Fonte: LÍGIA COSTA

