Oito em cada dez mortes registradas em ações policiais são de pessoas negras no Brasil

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  • O relatório “Pele Alvo” destaca que 80% das mortes em ações policiais no Brasil são de pessoas negras.
  • Em 2025, foram registradas mais de 4,3 mil mortes em operações policiais, com 3,1 mil vítimas negras.
  • Estados como Maranhão, Pernambuco e Pará tiveram aumentos significativos nas mortes por ações policiais.
  • Azor Lopes, do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, atribui a alta letalidade entre negros à exclusão socioeconômica histórica.

Produzido pela Ri7a – a Inteligência Artificial do R7

De acordo com o relatório “Pele Alvo”, do Observatório do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, oito em cada dez mortes registradas em ações policiais são de pessoas negras no Brasil.

O levantamento reuniu dados de Secretarias de Segurança de nove estados sobre a letalidade em operações da polícia. Segundo os dados, foram mais de 4,3 mil mortes registradas em 2025, 3,1 mil sendo de pessoas pretas ou pardas. Além disso, o documento também apontou que, no último ano, houve uma alta de 6,4% no número de mortes em decorrência das ações policiais em comparação com 2024.

Entre os estados que mais tiveram aumento de mortes, estão o Maranhão, com uma alta de 86%, seguido de Pernambuco, com um crescimento de 30%, e o Pará, com 5,8%.

Durante o Conexão Record News, o presidente do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, Azor Lopes, explicou que o alto índice de negros como vítimas da letalidade policial remete à escravidão, que ainda hoje tem reflexos na exclusão socioeconômica dessa parcela da população. Por isso, ele não acredita que os dados revelem uma “estratégia policial de extermínio”. Segundo Lopes, os negros são maioria em áreas vulneráveis a ações do crime organizado.

“O crime organizado loteia áreas de exclusão social, loteia as periferias e se instala lá. A pergunta que não cala é: por que o Estado não consegue ocupar o espaço que é ocupado pelo crime organizado? Como é que o Estado consegue intervir nessas regiões, não para oprimir a população que já é vítima de uma exclusão social, mas para instalar aparelhos e políticas públicas”, enfatizou.

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