OKariri, por O Povo
Os jovens estavam descontrolados. “Eles não tinha noção do que faziam, estavam fora de si. E isso aumentou ainda mais o meu medo”, revive o produtor Rodolfo Richard dos Santos, 28. Eram 20 horas de uma noite do fim de outubro último. O produtor estacionava o carro próximo à casa de um amigo e levava garrafas de cerveja long neck para comemorar a finalização de um trabalho. A violência interrompeu o percurso. “Acionei o alarme e os dois apontaram a arma e me mandaram voltar. Eu tremia. Falei que não tinha condições de dirigir”, narra.
Um dos rapazes, o mais nervoso dos dois adolescentes autores do crime, assumiu a direção. Queriam levá-lo até uma agência bancária, para sacar dinheiro. Por sorte (ou azar), o produtor estava sem o cartão de chave de segurança e, sem ele, é impossível retirar o dinheiro. Ao perceber isso, os adolescentes ficaram furiosos. “Deram coronhadas na minha cabeça. O sangue escorria e eles melaram a arma de sangue e passaram no meu rosto”. E os jovens combinavam entre si a hora que iriam executar Rodolfo. “Eu esperava a hora de morrer”, revela.
Casos de assaltos e de sequestros-relâmpago desafiam a Polícia. Até outubro deste ano, 35.114 pessoas registraram Boletins de Ocorrência por terem sido alvos de roubo a pessoa em todo o Estado, uma média de 115 casos por dia. O número supera em 18% o registrado no mesmo período do ano passado (29.606). Os dados são da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Com relação aos roubos com restrição de liberdade (sequestros-relâmpago), foram 236 ocorrências até outubro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram 364 casos. Uma redução de 35%.
Com a popularização das redes sociais, mais pessoas compartilham sua rotina, inclusive casos de violência. No caso de Rodolfo, o uso da rede social foi para além do alerta para o crime. Os jovens autores do sequestro-relâmpago ficaram com o celular do produtor, que tem localizador. Os infratores, então, acabaram sendo encontrados e uma audiência com um juiz foi marcada. Então, a irmã de um dos assaltantes chegou a adicionar o produtor no Facebook, para pedir que ele não comparecesse ao encontro. “Ela disse que a mãe estava doente. Perguntei a ela como podia se sentir a minha mãe e exclui o perfil”. Desde o episódio, a vida do produtor limitou-se ao trabalho. “Não saio mais à noite”.
O único assalto a Luane Brito, 24, agora em novembro, fez com que a estudante rejeitasse proposta de emprego. Moradora do Bairro de Fátima, ela foi assaltada no caminho de casa para a parada de ônibus, distante cerca de quatro quarteirões, em pleno sol de 11 horas. “Não tinha ônibus direto do shopping para minha casa. E o trabalho é até as 22 horas. Eu não tive coragem”, revela. Antes, ela morava no Curió. Sentia muito mais tranquilidade. “Por incrível que pareça, me sentia mais segura lá”, relata.
Enquanto era roubado, o gerente Marcos Maciel, 27, não acreditava na cena: os assaltantes, dois homens, agiram numa área bem movimentada e pela manhã. Enquanto dobrava um quarteirão do bairro Serrinha, os homens apontaram a arma em frente à moto. “Um dos caras foi preso, mas a moto ainda não foi encontrada”, conta.

