A Polícia Civil de Rondônia deflagrou megaoperação para apurar crimes relacionados ao financiamento, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, envolvendo empresários e políticos locais. A quadrilha iniciou sua ação em Rondônia, mas chegou a outros estados do Brasil, incluindo o Ceará.
Batizada de Apocalipse, a operação pretendia cumprir dois mandados de prisão no Ceará, sendo um em Fortaleza e um em Caucaia. “Um mandado estava no nome de uma pessoa que, na verdade, era a vítima. Ela havia perdido os documentos que, em seguida, foram falsificados e utilizados para abertura de empresas. Felizmente conseguimos resolver o mal-entendido”, explica a Polícia Civil no Ceará.
Em Caucaia, no Bairro Tabapuá, a operação objetivava prender Reginaldo Barroso Leite. Quando a polícia chegou a casa do acusado, na última quinta-feira (4), encontrou espelhos de identidade usados para falsificar documentos, computadores e máquinas de clonagem.
“Quem estava no local era a esposa dele, Edisângela Leite Lima, de 34 anos. Ela foi presa em flagrante e, em depoimento, informou que o marido não aparecia em casa há muito tempo”, conta a Polícia Civil. Diferente de Rondônia, nenhum político do Ceará está envolvido nos crimes.
Operação no Brasil
A organização criminosa tinha tentáculos em Rondônia e mais oito estados, Acre, Amazonas, Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, São Paulo e Paraná. “Durante a apuração, a Polícia Civil verificou vários desdobramentos criminosos e pessoas articuladoras para a prática como falsificação de documentos, estelionato, peculato, corrupção (ativa e passiva), tráfico de influência e formação de quadrilha”, explicou ao Tribuna do Ceará o delegado de Rondônia Eliseu Muller.
Foram identificados núcleos interdependentes que agiam para a execução dos objetivos. O núcleo financeiro da quadrilha financiava campanhas políticas, captava recursos, lavava dinheiro, enquanto o núcleo político recebia o financiamento para a campanha e retornava benefícios como nomeação de funcionários fantasmas.
Golpes
Também foram descobertos golpes de cartões de créditos gerando prejuízos enormes. Durante as investigações ficou constatado que os integrantes adquiriram R$ 7,5 milhões em veículos, R$ 22,5 milhões em imóveis e R$ 3,5 milhões em cotas de empresas, totalizando por volta de R$ 33 milhões em prejuízos.
Foram investigadas 98 pessoas físicas e 27 pessoas jurídicas (empresas), gerando para cumprimento 229 medidas cautelares, entre mandados de busca e apreensão, prisões preventivas e indisponibilidade de bens.
Afastados em Rondônia
O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Hermínio Coelho (PSD), afastado do cargo por ordem judicial, foi investigado por crime de peculato. Ele é acusado de nomear para cargos comissionados na Assembleia pessoas indicadas pela quadrilha.
Os deputados Ana da 8 (PTdoB), Adriano Boiadeiro (PRP), Cláudio Carvalho (PT) e Jean Oliveira (PSDB), vice-presidente da Casa, foram proibidos de entrar na Assembleia e tiveram decretada a indisponibilidade de seus bens dos parlamentares, além de busca e apreensão em seus domicílios e gabinetes e no Departamento Financeiro e de Recursos Humanos da Casa.
Roberto Rivelino Guedes, filho do presidente afastado da Assembleia, investigado por formação de quadrilha e estelionato, também teve prisão preventiva decretada. Na casa dele, foram encontradas notas fiscais de postos de gasolina e documentos bancários. Foram presos os vereadores Marcelo Reis (PV) e Jair Montes (PTC).
O secretário informou que o grupo operava ainda um esquema de fraude em empresas de cartões de crédito. Pessoas recrutadas pela quadrilha forneciam dados pessoais para fazer contratos, que não eram pagos, com as instituições financeiras. Donos de concessionárias de veículos também são suspeitos de participar do esquema, ajudando na lavagem de dinheiro.
Apocalipse
Para a execução da Operação Apocalipse foram mobilizados aproximadamente 80 delegados, 420 agentes e escrivães, 10 peritos, 10 datiloscopistas, cinco médicos legistas, 120 viaturas totalizando 101 equipes.
O nome Apocalipse faz referência à simbologia bíblica da palavra que significa revelação e fim. Com a investigação e a operação, os crimes praticados pelo grupo criminoso foram devidamente apurados e atendendo o objetivo de encerrar as ações delituosas.
“Eles serão analisados e daí poderão surgir novos fatos, novos ramos de operação do grupo e, inclusive, novos membros. A operação só tem começo – o fim vai de acordo com as provas que são colhidas e que vão orientar a gente”, finalizou o secretário de Segurança Pública de Rondônia, Marcelo Bessa.
Tribuna do Ceará

