
Cerca de 200 detentos se envolveram em um motim, na manhã de ontem, na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga. Durante o incidente, ocorrido somente na Rua D, os detentos atearam fogo em colchões e se agitaram no interior das celas.
O motivo do motim teria sido a suspensão das visitas, durante o dia de ontem. Em nota oficial, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) informou que a decisão teria sido tomada pela direção do presídio, depois de uma tentativa de fuga, naquele setor específico do presídio, na última sexta-feira, dia 23. Os presos estariam, portanto, cumprindo uma sanção disciplinar, por conta do ocorrido.
No texto enviado à imprensa, a Sejus disse ainda, que já havia um reforço policial dentro da CPPL III, desde o dia da pretensa fuga. Durante a confusão causada na manhã de ontem, patrulhas do Comando Tático Motorizado (Cotam) e agentes do Grupo de Atendimento Penitenciário (GAP) estiveram no local para controlar a situação.
Segundo policiais que participaram da ação, balas de borracha tiveram que ser disparadas dentro do presídio para conter a rebelião. O Corpo de Bombeiros também foi acionado. As chamas provocadas pela queima dos colchões, foram controladas momentos após a chegada do reforço policial.
Ainda de acordo com a Sejus, não houve nenhum preso morto ou ferido no motim. As visitas nas demais dependências da CPPL III, que no dia de ontem permitia a entrada de crianças, aconteceram normalmente. No entanto, as da ´Rua D´ permaneceram suspensas.
Esposas
As mulheres dos presos da ´Rua D´, já haviam passado do portão principal da unidade e esperavam a distribuição das senhas, quando foram informadas que não poderiam entrar. Elas presenciaram o começo do tumulto e da queima dos colchões.
“Eu estava com minha filha de sete anos quando eles começaram a gritar, a bater nas grades e a queimar coisas, que depois soube que eram colchões. Quando a fumaça apareceu, fiquei muito nervosa. Tive medo de que acontecesse alguma coisa com minha filha e também com meu marido”, afirmou a companheira de um dos detentos, que não se identificou. Muitas delas falavam com os presos por celular.
Diário do Nordeste

