
O deputado federal Eudes Xavier (PT-CE) prestou depoimento ontem à Polícia Federal sobre a denúncia que fez, seis meses atrás, de suposta espionagem praticada pelo governador Cid Gomes (Pros) contra seu inimigo político Roberto Pessoa (PR), ex-prefeito de Maracanaú.
Eudes pediu à PF que apure o caso. “Quero muito que deem prosseguimento à investigação”, disse o petista ao O POVO, depois de prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal, em Brasília.
No dia 18 de setembro, a Polícia Federal enviou ofício a Eudes solicitando que o deputado marcasse data, hora e local para esclarecer a denúncia que fez na tribuna da Câmara dos Deputados em 4 de abril, quando declarou ter recebido cópias de emails supostamente trocados entre Cid, seu irmão Ciro Gomes, atual secretário estadual de Saúde, o secretário da Casa Civil, Arialdo Pinho, e o então secretário de Segurança Pública, Francisco Bezerra, que indicavam a contratação da empresa americana Kroll para espionar Roberto Pessoa.
À época, Eudes não revelou quem lhe passou as cópias dos emails. Ontem, falando ao delegado da Polícia Federal Rômulo Teixeira Cavalcante, Eudes repetiu que não sabe quem encaminhou a seu gabinete na Câmara o envelope contendo as cópias dos emails, mas reiterou que, como parlamentar, tinha o dever de pedir a apuração do fato “grave e ofensivo à democracia”.
Áudio de Cid
Conforme o termo de declarações de Eudes à PF, encaminhado pelo deputado ao O POVO, ele pediu ao órgão que requeira da Assembleia Legislativa as notas taquigráficas e o áudio do pronunciamento de Cid na manhã seguinte à denúncia.
Na ocasião, Cid rechaçou as acusações do petista, afirmou que tinha tido o email invadido e revelou que havia pedido à Polícia Civil que investigasse o caso. “Inventaram tudo isso e passaram para o Eudes. Resta saber se ele entrou nisso de beócio, imbecil ou idiota, ou se como crápula, vinculado a uma quadrilha”, disse então o governador. No depoimento de ontem, Eudes afirmou que o discurso de Cid foi “ofensivo” e “desrespeitoso” para com ele.
O POVO tentou saber da Polícia Federal, após o depoimento de Eudes, quais serão os próximos passos da investigação, mas as perguntas enviadas à assessoria de comunicação do órgão não foram respondidas até o fechamento desta página. A reportagem também procurou a Polícia Civil por telefone e email para saber como anda o inquérito, mas não houve resposta.
O Povo

