
Da recepção, é possível sentir o mau cheiro que exala da carceragem. Nas duas celas, 33 presos se amontoam. O local, com capacidade máxima para 12 pessoas, não conta com iluminação, ventilação e muito menos higiene. “São verdadeiras cavernas”, definiu um dos defensores públicos que vistoriaram, na manhã de ontem, a Delegacia Metropolitana de Maracanaú, no Conjunto Jereissati I. A visita faz parte de um cronograma de inspeções que devem ocorrer até o início de fevereiro, passando por todas as delegacias que possuem carceragem no município.
A vistoria foi comandada por defensores da Comarca de Maracanaú e do Núcleo de Assistência aos Presos Provisórios e às Vítimas da Violência (Nuapp) da Defensoria Pública do Estado. Fiscais da Vigilância Sanitária acompanharam a inspeção. Conforme o defensor Bruno Neves, no ano passado, 23 delegacias da Capital foram vistoriadas. A situação do Distrito de Maracanaú é considerada a pior de todas.
O POVO acompanhou a vistoria. As celas são quentes e abafadas. As paredes acumulam mofo e exalam um forte odor de cigarro. Fiscais sanitários não aguentaram ficar mais do que cinco minutos nas celas. Defensores resistiram menos tempo ainda. “Agora você imagina isto aqui com 33 pessoas dentro”, refletiu Neves.
Durante a inspeção, alguns presos reclamavam e pediam para ser transferidos para a Delegacia de Capturas (Decapol), no Centro da Capital, alegando não aguentar mais permanecer no local. Um deles está preso na unidade há quase 11 meses. Conforme o delegado titular da unidade, Paulo Sidney, o preso deu entrada na unidade no dia 26 de fevereiro de 2012, por tráfico de drogas. Desde então, aguarda uma decisão judicial para deixar o local ou ser encaminhado para um presídio.
Medida judicial
Um relatório sobre as condições da unidade será elaborado dentro de 10 dias. “Visivelmente, o ambiente é precário, deixa a desejar. Até pela situação da superlotação”, adiantou Alcântara Neto, fiscal da Vigilância Sanitária.
Conforme o defensor Bruno Neves, após a apresentação do documento, a Defensoria Pública tomará as “medidas cabíveis”, que podem culminar em uma medida judicial contra o Estado, por descumprimento da Lei de Execução Penal. O caso será avaliado pelo defensor de Maracanaú, Weimar Salazar. Na tarde de ontem, O POVO tentou ouvir diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Wilder Brito. Porém, as chamadas no celular do delegado não foram atendidas. Já o diretor do Departamento de Polícia Especializada, delegado Jairo Pequeno, recusou as chamadas.
O Povo

