Ceará registra 2 mortes por dia nas estradas

Os primeiros oito meses de 2013 nas rodovias estaduais e federais que cortam o Ceará foram mais violentos do que igual período do ano passado. De acordo com dados das polícias rodoviárias federal (PRF) e estadual (PRE), as mortes aumentaram 12,2%, passando de 367, em 2012, para 412. Ou seja, em média, duas pessoas morreram diariamente nas BRs e CEs entre janeiro e agosto passado, e outras três mil ficaram feridas.

Para especialistas, a imprudência do condutor é a principal causa do que chamam de “tragédia” cotidiana. A chefe do Núcleo de Comunicação da PRF no Ceará, Neurismene Oliveira, aponta que as colisões frontais, devido às ultrapassagens indevidas e excesso de velocidade são as grandes causas dos acidentes. O alerta, afirma, serve para colocar foco na Semana Nacional de Trânsito, que se inicia hoje e segue até o dia 25, principalmente, com relação à lei seca.

As estatísticas da PRF, entre janeiro e 15 de setembro de 2013, assinalaram que a fiscalização realizou 26,6 mil testes de alcoolemia, sendo que 651 autuações foram lavradas e 266 pessoas presas. No mesmo período do ano passado, houve 12,5 mil testes de alcoolemia pela PRF no Ceará. Foram 429 autuações e 156 prisões nas rodovias federais do Estado. “O que demonstra que ainda é necessário muita conscientização e muita punição para reverter o quadro de acidentes”, diz ela.

Na avaliação do comandante da PRE, tenente-coronel Francisco Túlio Studart, sem dúvida, um dos fatores agravantes de acidentes é o consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas. “Mesmo com o enrijecimento da lei seca, que impõe ao condutor sob efeito de álcool multa de R$ 1,9 mil”, afirma.

Segundo dados da PRE, entre janeiro e agosto, as ocorrências nas estradas do Ceará somaram 2,4 mil acidentes, com 1,4 mil feridos e 276 mortes. No ano passado, observando o mesmo espaço de tempo, foram 2,3 mil acidentes e 267 óbitos.

O Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran/CE) divulga dados entre janeiro e maio deste ano. De acordo o órgão, dos 6,3 mil acidentes, 3,7 mil foram em Fortaleza, com 146 óbitos e 1,4 mil feridos. Para o Detran, a violência do trânsito na Capital está cada vez maior. As colisões e os abalroamentos são as duas principais causas.

Fatores

Diante desse cenário, um estudo do Núcleo de Psicologia do Trânsito, da Universidade Federal do Paraná, aponta os fatores psicológicos do comportamento dos motoristas no tráfego nas capitais brasileiras, e Fortaleza está incluída. O trânsito, resume a pesquisa, não é percebido como um fenômeno coletivo pelas pessoas ou seja, há um individualismo exacerbado por parte dos condutores.

As pessoas acreditam que o problema é dos outros, que dirigem em alta velocidade, enquanto elas mesmas só exageram “um pouquinho”, diz o estudo. Essa é a mesma desculpa para comportamentos sociais ilegais, como para pessoas que param em cima da faixa para pedestre e justificam que não têm culpa, pois o problema foi o semáforo que fechou e não deu tempo de seguir, por exemplo. “Nas estradas, o comportamento agressivo e egoísta também aparece e muitos acham que os carros ou caminhões deviam parar para que ele passe com seu veículo”, diz a psicóloga Deusa Moraes, especialista em trânsito.

Diário do Nordeste

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