A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (27) que não se manifestará sobre o julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, no qual dirigentes petistas foram condenados, entre eles, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. “Não me manifesto sobre decisões de outro Poder. Não estaria contribuindo para a governabilidade desse país”, disse durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.
“Não posso esquentar considerações, tomar atitudes que possam, de alguma forma, interferir no funcionamento desses órgãos”, acrescentou.
Dilma disse que, como presidenta da República, tem a prerrogativa de indicar ministros para preencher as cadeiras vagas no Supremo Tribunal Federal (STF), mas não tem ingerência sobre a atuação deles no tribunal. “Cada um vive sua vida”, disse, acrescentando que mantém a devida distância.
Em relação às manifestações de integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) em apoio a uma possível candidatura de Lula à Presidência em 2014, Dilma disse que não anteciparia o fim de seu mandato discutindo as próximas eleições. “Pretendo governar daqui a 2014 com absoluto empenho, como se fosse sempre o primeiro dia.”
RACIONAMENTO – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (27) que acha “ridículo” dizer que o país corre o risco de racionamento de energia. Segundo ela, as empresas de energia não investiram adequadamente na manutenção do sistema elétrico durante anos, mas, a partir de agora, o quesito será melhor fiscalizado. Ainda segundo a presidenta, há recursos suficientes para usar em manutenção sem deixar de ampliar o sistema.
“Eu acho ridículo dizer que o país corre risco de racionamento”, disse a presidenta durante café da manhã com jornalistas
Em relação às interrupções de energia recentes, que deixaram milhões de pessoas sem luz, Dilma criticou a tentativa de colocar a culpa em fenômenos naturais, como raios. Segundo ela, se houve interrupção, houve falha humana. “No dia que falarem que [houve interrupção de energia porque] caiu um raio, vocês gargalhem”, ironizou.
“Raio cai todo dia. Um raio não pode desligar o sistema. Se cai, é falha humana. Não é sério dizer que o sistema caiu por causa de um raio”, disse Dilma mostrando fotos de satélites mapeando a constante incidência de raios no território nacional nos últimos dias.
Dilma disse que o sistema elétrico deve ser “implacável” contra interrupções de energia e o país não pode aceitar conviver com essa situação, porque muitas pessoas perdem equipamentos elétricos, além de outros prejuízos. Segundo ela, o sistema elétrico está sujeito a “estresse”, mas tem que estar preparado. “Tem que ser resistente ao raio, isolar e recuperar. Tem que ter bloqueio, estar blindado.”
Na avaliação da presidenta, a interrupção do fornecimento de energia no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, no Rio de Janeiro, na noite de ontem (26), que provocou atrasos em 19 voos, também foi falha humana. “No Galeão, foram duas coisas: falha humana, porque deveriam ter trocado o ar condicionado que estava velho, e sobrecarga, por causa da temperatura alta”, avaliou. Dilma disse que é preciso se antecipar e adequar os equipamentos para possíveis riscos. “Planejar é isso.”
VOTAÇÃO ORÇAMENTO – A presidenta Dilma Rousseff disse que o governo vai anunciar ainda hoje (27) a medida provisória para garantir investimentos no começo de 2013, diante da decisão do Congresso de adiar para fevereiro a votação do Orçamento do próximo ano. Dilma disse que não há crise entre os poderes e que a votação do Orçamento apenas em fevereiro não trará danos aos planos do governo.
A medida provisória será detalhada pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e vai autorizar o uso de um terço do Orçamento já aprovado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). “O objetivo do governo é iniciar 2013 mantendo elevado nível de investimentos. Mandamos por medida provisória para que não haja possibilidade de interromper o ritmo de investimento no Brasil”, disse a presidenta, durante café da manhã com jornalistas. Segundo Dilma, a mesma manobra já foi utilizada pelo Executivo em 2006.
O atraso na votação do Orçamento de 2013, que ficou para fevereiro, não configura nenhuma crise entre os poderes, na avaliação da presidenta. O Congresso Nacional, segundo ela, tem prerrogativa para aprovar ou não medidas do Executivo e que isso é normal da democracia. “Não vamos chamar de crise o que não é. É inexorável para um presidente perder votações. Não vejo nada pessoal”, ponderou.
Sobre a possibilidade de votação de cerca de 3 mil vetos presidenciais pelo Congresso, Dilma disse que a posição do governo é de “cautela”. Segundo ela, a maioria dos vetos que poderão ser analisados, alguns da época do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se refere a gastos que os governos consideraram desnecessários. A derrubada a essa altura poderia comprometer as contas do país, segundo a presidenta. “Precisamos ter atitudes bastante ponderadas, porque é complicado derrubar vetos que remontam a milhões de reais. Nossa posição é de cautela.”
Agência Brasil

