O Povo
Durante coletiva concedida na tarde de ontem, a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins (PT) afirmou que não participará da solenidade de transferência de cargo para o prefeito eleito de Fortaleza, Roberto Cláudio, na Câmara Municipal. “Não participo da posse, porque é tarefa da Câmara”, disse.
Ela comentou ainda sobre a situação financeira que deixará de herança para Roberto Cláudio (PSB). Segundo ela, ainda não foi fechado o balanço completo sobre as dívidas que serão deixadas para Roberto Cláudio, mas a ideia é deixar a situação equilibrada.
Ela ponderou que, “em valores corrigidos”, recebeu mais de R$ 550 milhões de dívidas da gestão de Juraci Magalhães. Quando recebeu a dívida, diz, não havia dinheiro pra pagar a folha de servidores. “E também não encontrei nenhum recurso que o próprio município já tivesse pra realização de obra. Ao contrário disso, eu vou pagar o 13º dos servidores juntamente com o próprio salário de dezembro”, afirmou, acrescentando que quem instituiu calendário de pagamento para os servidores foi o seu governo.
Além disso, ela reforçou que está deixando captados recursos para o próximo governo realizar obras como a da Beira Mar e da Praia do Futuro, por exemplo. “Se ele arrumar desculpa disso ou daquilo outro, é porque não sabe fazer, porque eu recebi quase R$ 600 milhões de dívidas e dei conta do recado e paguei todo mundo”, alfinetou.
OPOSIÇÃO – Depois de arrastar o PT municipal para a oposição à futura gestão de Roberto Cláudio, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, entra agora em campo para tentar fazer o mesmo em relação ao governo Cid Gomes (PSB).
Ontem, em conversa com O POVO, a petista, que presidente o partido no Ceará, disse que a sigla vai discutir o assunto na próxima sexta-feira, 21. “A Executiva Municipal já decidiu que será (oposição). A estadual vai se reunir sexta agora”, afirmou.
Luizianne também já começa a definir seu futuro político. Prefeita até o dia 31 de dezembro e dirigente partidária até novembro do ano que vem, ela disse que vai continuar à frente do partido.
A decisão, segundo ela, veio depois de reuniões com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidente Dilma Rousseff, que teriam feito tal pedido.
Sobre a vida pessoal, a prefeita confirma que deverá ir para um mestrado no Rio de Janeiro, mas que não deverá perder o contado com a política da Capital do Ceará. Manter-se vinculada a Fortaleza também teria sido um pedido de Lula e Dilma.
TRANSIÇAO – Após um mês de reuniões diárias, as equipes de transição da Prefeitura de Fortaleza concederam coletiva de imprensa ontem com informações divergentes e evidenciando desencontros. Diferente de coletivas anteriores, nas quais as equipes se dividiam e concediam entrevistas separadamente, desta vez, as equipes fizeram questão de lançar seus diagnósticos frente a frente.
De um lado, a equipe de Luizianne Lins, coordenada pelo secretário do Planejamento, Alfredo Pessoa, afirmava a disponibilidade de colaborar e fornecer informações e a garantia de recursos para dar continuidade a obras junto a Ministérios, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outros financiadores.
De outro lado, a equipe de Roberto Cláudio, coordenada por Eudoro Santana, demonstrava preocupação com a situação financeira, com atraso de obras e dificuldade para obtenção das informações durante a transição.
Entre os pontos de divergência, está as contas que a gestão de Luizianne deixa sem respaldo para a próxima gestão cobrir (restos a pagar). Enquanto Pessoa afirmava que este cenário só estará definido no fim do ano, Santana destacou ser público que o déficit é de R$ 225 milhões, no mês de novembro e, neste mês, poderá chegar a R$ 300 milhões. “Temos essa preocupação. Mas temos a expectativa de receber a Prefeitura com esse problema sanado”, ponderou.
O balanço quanto ao número de terceirizados também foi ponto polêmico. Segundo Alfredo Pessoa, a Prefeitura conta hoje com 12 mil terceirizados, quase um terço do número total de servidores e comissionados, que é 33 mil.
No entanto, Santana citou este dado entre as dificuldades de obter informações com a atual gestão. Segundo levantamento feito pela própria equipe de Roberto Cláudio, a partir de servidores, o número de terceirizados ultrapassa 27.600, podendo chegar a mais de 30 mil.
Licitações e projetos
De acordo com Pessoa, o número de licitações lançadas em dezembro é proporcional aos demais meses do ano. No entanto, Santana afirmou que alguns são inoportunos. Um deles, aponta, é o de regulamentação de transportes alternativos por 15 anos, que movimentaria R$ 1 bilhão.
Também foram considerados inoportunos projetos encaminhados pela atual gestão à Câmara Municipal. É o caso da transferência do Centro Cultural do Banco do Nordeste para o Centro de Referência do Professor. Conforme Santana, o projeto deveria ter sido apresentado ao futuro prefeito.
Ao mesmo tempo em que garantiu que Roberto Cláudio fará todo esforço para garantir a festa, ele demonstrou preocupação quanto à realização do Pré-Carnaval. Ele destacou que a festa deste ano já estava preparada em outubro do ano passado. Desta vez, ele afirma que sequer foram lançados editais. “Vamos contar com a compreensão dos blocos”, disse.

