A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) instaurou, ontem, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a denúncia de PMs contra o delegado de Polícia Civil Delmiro Baturité Queiroz Zamenhof. Em tese, este é o primeiro passo para que o delegado seja excluído da instituição em definitivo.
Na última segunda-feira, o delegado deixou de autuar em flagrante delito um grupo de quatro pessoas acusadas do trafico de drogas no bairro Rodolfo Teófilo. A quadrilha foi presa no momento em que estava de posse de drogas como cocaína e crack, além de apetrechos para a embalagem e distribuição das drogas. O flagrante aconteceu dentro de uma residência, que servia como ponto de venda de drogas na comunidade conhecida como Forró da Bala.
No local, os PMs apreenderam 400 gramas de cocaína, meio quilo de crack, cerca de R$ 1 mil em espécie, além de três balanças de precisão, papel alumínio e papelotes utilizados para a embalagem do entorpecente, além de um martelo usado para fracionar as drogas.
O bando foi detido por uma patrulha do Batalhão Raio (Ronda de Ações Intensiva e Ostensiva). Mas, para surpresa dos PMs, quando estes apresentaram a quadrilha e todo o material ao delegado plantonista no 34º DP, este decidiu lavrar apenas um Termo Circunstanciado de Ocorrência (T.C.O.) contra os detidos e, em seguida, os liberou. Para agravar ainda mais a situação, o delegado ignorou a informação dos PMs de que um dos traficantes havia tentado suborná-los com a quantia de R$ 30 mil.
Afastado
A denúncia dos PMs levou a cúpula da Polícia Civil a, afastar o delegado das funções. Ontem, o controlador geral de disciplina, em exercício, Santiago Amaral Fernandes, determinou instauração do PAD contra Zamenhof.
No seu despacho, ele afirma categoricamente que o delegado “deixou de adotar as providências de Polícia Judiciária adequadas ao caso, maculando a credibilidade das instituições de Segurança Pública e a ordem pública”. E mais, “o servidor não observou o dever funcional” e que o seu afastamento decorreu de “prática de ato incompatível com a função pública”.
SOLDADOS EXPULSOS – Dois policiais militares foram expulsos da Corporação depois de serem submetidos a processos regulares através de Conselho de Disciplina. A exclusão dos dois PMs ocorreu ontem, por ato do Comando Geral da Corporação, que considerou-os “incompatíveis e incapacitados moralmente a permanecer no serviço policial militar”.
Um dos PMs expulsos foi identificado como sendo o soldado Antônio Valério Uchoa Neto, que pertencia ao efetivo do 8º BPM (Praia de Iracema) de Fortaleza.
Segundo Nota à Imprensa distribuída pelo Comando-Geral na tarde passada, o soldado Valério tem uma extensa ficha criminal. Atualmente, está responde judicialmente por dois crimes de homicídio (na Primeira e Quarta varas do Júri da Capital), além de processos na Vara das Execuções Criminais, na Justiça Militar Estadual, na Quinta Vara do Júri por lesão corporal, além de uma fuga no Presídio Militar e, portanto, está sendo também processado pela Justiça Militar do Estado do Ceará.
Ficha suja
Ainda conforme o Comando da PM, o soldado Valério tinha ainda em sua ficha individual anotadas diversas punições disciplinares, conforme ficou comprovado em uma Sindicância Administrativa instaurada em 24 de outubro de 2006 na antiga Corregedoria Geral dos Órgãos da Segurança Pública (CGOSP).
“Seus atos constituem-se em atos contrários aos deveres dos policiais militares estaduais”, diz o despacho do Comando.
O segundo miliar expulso ontem das fileiras da PM era o soldado Dênis Márcio Cavalcante Costa, que pertencia ao efetivo da 5º Companhia do 1ºBPM, sediada na cidade de Pacajus, na região metropolitana de Fortaleza.
O soldado Costa foi demitido depois que a Corporação investigou um episódio de violência no qual ele se envolveu na cidade de Pindoretama (50Km de Fortaleza), também na RMF.
Morte
Conforme apurou a Corporação, quando de folga, o soldado se envolveu em um assassinato dentro de uma churrascaria. Utilizando um revólver de um amigo, ele disparou vários tiros dentro do estabelecimento comercial, situado na Rua Raimundo Nonato Costa, no Centro de Pindoretama, fato que acabou resultando na morte de Alexsander Pereira do Nascimento.
Diário do Nordeste

