Ceará lidera aumento de apreensão de celulares em presídios no Brasil

O Ceará é o estado brasileiro com o maior crescimento em totais absolutos de apreensão de celulares em presídios nos últimos dois anos. Em 2011, foram recolhidos 1.243 aparelhos. Em 2012, 3.158. Uma diferença de 1.915 unidades.

Os números primários foram levantados pelo jornal O Globo junto às secretarias estaduais gestoras dos sistemas penitenciários e publicados na edição do último domingo, 6, do periódico carioca. Com base neste estudo, O POVO calculou as variações e o crescimento em totais absolutos. Em 15 de dezembro, O POVO já havia divulgado as estatísticas do Ceará com a manchete “Presídios e cadeias] 287 celulares apreendidos por mês.”

Pernambuco aparece em segundo no ranking de totais absolutos, com 1.751 celulares a mais apreendidos em 2012 do que em 2011. Na lista de crescimento percentual, no entanto, lidera com aumento de 170% (saiu de 1.028 para 2.779). O Ceará vem em seguida, com 154% de evolução. Houve involução no Acre (de 351 para 315 (-10%), Espírito Santo (de 126 para 86 (-15%), Santa Catarina (de 698 para 589 (-26%) e Rio Grande do Sul (de 2.914 para 2.131 (-31%). (ver tabela ao lado)

No Ceará, a Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania (Sejus) responde pela gerência dos presídios e cadeias públicas. A titular da pasta, Mariana Lobo, atribui o maior recolhimento de celulares à criação do Grupo de Apoio Penitenciário (GAP), no começo de 2012. Composto por 32 agentes, o colegiado tem como função a realização de vistorias e a contenção de distúrbios (rebeliões, fugas etc).

Segundo a secretária, pelo menos três buscas são feitas semanalmente nas maiores unidades prisionais do Estado. Tudo é mantido sob sigilo e o GAP pode atuar inclusive sem a presença do dirigente do prédio. Houve treinamento específico e cerca de R$ 2 milhões foram investidos em equipamentos, conforme Mariana Lobo.

Ela prevê a entrada de mais 100 homens no grupo. A seleção interna (do quadro de agentes penitenciários) está em andamento. Quando os aprovados em concurso assumirem os cargos (ver matéria abaixo), o GAP deve receber ainda mais reforço. “Se você tem uma equipe preparada, equipada e com autonomia para atuar, vai acontecer isso (aumento de apreensões). Claro que não estou justificando a entrada dos celulares. Isso é um desafio do Brasil todo.”

Ela promete para dentro de seis meses o começo da instalação de um sistema de bloqueio de chamadas no perímetro dos presídios. A tecnologia está sendo desenvolvida no Ceará. “Andei o Brasil e não vi nenhuma que bloqueasse total. Essa nossa deve bloquear total. Vai ser implantada paulatinamente”.

O Povo Online

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