O tenente-coronel Cícero Henrique Beserra Lopes, o 1º tenente Joaquim Tavares de Medeiros Neto e o cabo Antônio Natanael Vasconcelos Braga, todos integrantes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), foram absolvidos pela Justiça Militar das acusações de fraude processual relacionadas ao caso que ficou conhecido nacionalmente como “Tragédia de Milagres”.
O episódio ocorreu em 7 de dezembro de 2018, durante uma operação policial no município de Milagres, no interior do Ceará. Na ocasião, 14 pessoas morreram — entre elas, seis reféns que estavam sob domínio de criminosos que planejavam atacar agências bancárias da cidade.
Segundo os autos, a ação foi conduzida por policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), que intervieram no momento em que a quadrilha se preparava para o assalto. A operação terminou com mortos entre os suspeitos e os civis feitos reféns. Os três policiais agora absolvidos haviam sido denunciados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), acusados de tentar ocultar provas no local da ocorrência.
A denúncia afirmava que os militares acessaram as dependências de um comércio próximo à cena do crime e teriam apagado imagens de câmeras de segurança, supostamente registradas por um aparelho DVR. O MPCE sustentava que os dados deletados poderiam servir como evidência crucial para esclarecer a dinâmica da operação e a responsabilidade pelas mortes dos reféns.
Entretanto, em juízo, os depoimentos colhidos não confirmaram essa versão. Os proprietários do estabelecimento comercial afirmaram que os policiais estiveram no local, mas saíram sem levar qualquer equipamento. Também não souberam precisar se as câmeras estavam em funcionamento no momento da operação. Segundo os relatos, os dispositivos não tinham ângulo para capturar imagens da agência do Banco do Brasil, embora parte da área em frente ao banco Bradesco estivesse visível.
Durante o confronto armado, seis reféns foram mortos: João Batista Campos Magalhães, 49 anos, e seu filho Vinícius de Souza Magalhães, de 14; Claudineide Campos de Souza Santos, 41, e seu esposo Cícero Tenório dos Santos, 60; Gustavo Tenório dos Santos, 13, e Francisca Edneide da Cruz Santos, 49.
Diante da ausência de provas concretas sobre a suposta adulteração do material, o Judiciário Militar decidiu pela absolvição dos três policiais.

