
João Havelange, presidente da Fifa entre os anos de 1974 e 1998, renunciou a seu cargo de presidente de honra da entidade por conta dos escândalos de corrupção e as propinas que recebeu por anos.
A informação faz parte de um relatório divulgado na manhã desta terça pelo Comitê de Ética da Fifa que trata das investigações sobre o caso ISL. Segundo o documento, a empresa suíça (falida em 2001) teria oferecido milhões em propina para dirigentes da Fifa em troca de direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006. O informe confirma que Havelange teria recebido milhões de dólares entre 1992 e 2000 da ISL em propinas.
A renúncia de Havelange, que foi feita no dia 18 de abril, ocorreu em silêncio e não foi comunicada nem pela Fifa e nem pelo próprio cartola aos jornalistas de todo o mundo.
No entanto, mesmo com a confirmação do envolvimento de Havelange no esquema, o cartola não vai ser punido. Segundo Comitê de Ética da Fifa, como o brasileiro renunciou de seu cargo há dez dias, não há como punir o cartola. Havelange já havia renunciado de seu cargo no COI, também pelo mesmo motivo. Agora, abandona a Fifa, em um final melancólico.
Apesar da queda, Havelange não será punido e a saída foi justamente uma forma de evitar ser expulso. A decisão de renunciar encerra o caso e dispensa a necessidade de que a entidade tenha de votar em maio a decisão de expulsa-lo ou não.
O relatório divulgado nesta terça-feira também inocenta o presidente da Fifa, Joseph Blatter, de qualquer malefício causado à instituição. No entanto, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira e o recém-aposentado Nicolás Leoz, que renunciou à presidência da Conmebol, também foram culpados de receberem propinas da ISL entre 1992 e 2000.
A renúncia ainda deve aumentar a pressão para que os cartolas brasileiros evitem usar o nome de Havelange no estádio que servirá para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
O Povo Esportes

