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“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”. Esses são versos retirados de uma canção de Raul Seixas, mas podem dimensionar com exatidão o que cada gremista está prestes a viver neste 8 de dezembro de 2012. Um sábado diferente. Um dia como poucos. Uma data para sempre. A partir das 20h, o Grêmio inaugura a Arena, seu novo estádio, no bairro Humaitá, em Porto Alegre. Um projeto que começou dentro da cabeça e da mochila de um jovem dirigente e, aos poucos, passou a ser abraçado por mais pessoas, por praticamente todos que vestem azul, preto e branco. Sonhado junto. Portanto, realidade.
Ainda no embalo de Raulzito, até o seu título tem tudo a ver com o espírito tricolor neste sábado mágico para os torcedores. Afinal, o objetivo do Grêmio é, ao descortinar para o mundo a sua nova casa, abrir também uma avalanche de conquistas em campo, ausentes desde 2001. Ou seja, a festa colossal que vem por aí está mais para um começo, uma prévia, do que para um fim. Não por acaso, o clube mobiliza os fãs pela internet desde a tarde de sexta-feira, pedindo que espalhem a mensagem “Nova Era Tricolor”.
O espetáculo da noite se divide em duas partes. Primeiro, a partir das 20h, num show previsto para durar uma hora e cinco minutos e que promete emocionar. O parâmetro é nada menos que a cerimônia de encerramento de uma Olimpíada. Às 22h30m, a bola rola para o amistoso inaugural, em que tudo será pela primeira vez. Do pontapé inicial ao gol, a novidade será a palavra de ordem em Grêmio x Hamburgo, um “revival” do Mundial de 1983.
Com a intenção de facilitar o deslocamento da torcida, algumas medidas foram tomadas. Duas linhas de ônibus especiais serão oferecidas especificamente para quem irá à festa de inauguração. Outras sete opções de trajetos realizados por coletivos estarão à disposição dos torcedores. Mais de 60 mil pessoas são esperadas.
Há também a opção de ir de trensurb, de carro ou até a pé, como sugere o hino, já que as ruas do entorno da Arena não receberão bloqueios por parte da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) durante todo o dia.
O clima de festa contagiou a comissão técnica e os jogadores do Grêmio. De quarta a sexta, a descontração marcou os treinos. Foram atividades leves. Apenas para manter a o ritmo dos atletas. A partida é encarada pelo lado histórico. Ganhar é importante, claro, para marcar o começo de uma era. Atacantes sonham com o primeiro gol. Zagueiros em evitá-lo. Vanderlei Luxemburgo resumiu como os 90 minuto serão encarados em uma frase. Não está preocupado se os alemães tentarão dar o troco da perda do título mundial:
– O jogo é uma festa. Temos de falar da grandeza dela, a importância da Arena ao clube. Se ficarmos nas picuinhas do futebol, se vem titulares ou não, se o Hamburgo encará como vingança, vamos estragar o momento. Não é o caso.
Luxa não revelou quem irá jogar. Os desfalques são Gilberto Silva (transferiu-se ao Atlético-MG), Kleber (operado no tornozelo esquerdo) e Gabriel (liberado pela direção para buscar novo clube). É certo que Zé Roberto irá reencontrar o clube que defendeu entre 2009 e 2011 e a escola de futebol que se consagrou por 12 temporadas – defendeu ainda LeverKusen e Bayern de Munique.
– É um amistoso, mas queremos ganhar. É importante começar uma era nova ganhando. A torcida espera isso – disse o meia.
O Hamburgo vive uma espécie de conflito de opiniões com a chance de reencontrar o Grêmio. Há quem exulte a vigem ao Brasil, há quem reclame e encare apenas como compromisso comercial. A verdade é que, pela diferença de calendário, o jogo irá atrapalhar os alemães.
Basta ver a engenharia feita para a viagem. Na sexta-feira à tarde, o Hamburgo venceu o Hoffenheim pelo campeonato nacional e rumou para uma maratona. Em 40 minutos, a delegação estava no aeroporto da cidade. Pegou voo fretado a Porto Alegre – há escala em São Paulo. Os 22 mil quilômetros devem ser percorridos em 32 horas de voo. A volta na será na segunda-feira, e sábado há jogo contra o Leverkusen.
Tal situação fez o goleiro Adelr resumir a viagem como um ‘horror’. O técnico Thorsten Fink disse que é preciso pensar no clube – receberá R$ 2 milhões de cota. O lateral-esquerdo Aogo foi mais simpático:
– Nunca fui ao Brasil. Isso certamente será muito interessante. Estou convencido de que a viagem será boa e teremos uma grande festa.
Grêmio: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Naldo e Pico; Fernando, Souza, Elano e Zé Roberto; Leandro (André Lima) e Marcelo Moreno
Hamburgo: Diekmeier, Mancienne, Westermann e Lam; Badelj, Skjelbred, Aogo e Arslan; Son e Rudnevs (desfalcado por Van der Vaart e Milan Badelj, lesionados).
O paraguaio Carlos Amarilla, árbitro Fifa, apita o amistoso da nova era tricolor.

