
Dois meses e quatro dias depois do fatídico jogo entre Fortaleza e Oeste, pela Série C do Brasileiro, no qual o Leão do Pici amargou a derrota por 3 a 1 e adiou, por mais um ano, o sonho de retornar para a Segundona, a diretoria tricolor ainda lida com problemas relacionados ao duelo.
Agora, a novidade é uma possível proibição de jogos da equipe no Estádio Presidente Vargas. O motivo estaria relacionado a uma dívida de R$ 146 mil referentes aos prejuízos dos jogos do Tricolor contra Oeste e Paysandu, pela Série C, aos 7% do aluguel do estádio e mais 1% para pagar o quadro móvel.
Montante
“A dívida de R$ 102 mil (referente aos prejuízos com o vandalismo da torcida), o Fortaleza levou o caso à Justiça alegando que não é de responsabilidade do clube, mas, sim, dos torcedores que depredaram o estádio. Já eu, tenho um outro posicionamento, pois quando se aluga um espaço, você paga o aluguel sem colocar possíveis prejuízos que ocorrerem durante o evento”, afirma o novo titular da Secretaria de Esporte e Lazer do Município, Márcio Lopes.
A dívida que corre na Justiça só será sanada após a decisão judicial e não será motivo para impedir o clube de jogar no PV.
Já os R$ 44 mil referentes ao aluguel do estádio devem ser pagos imediatamente. “O aluguel está estipulado no borderô e já deveria ter sido pago até a data do jogo. Caso o Fortaleza não pague, o clube não joga no PV”, acrescenta Lopes.
Conforme o secretário, nos próximos dias, deverá ser marcada uma reunião entre representantes do clube e da secretaria para definir tal assunto. “O normal de quem reconhece uma dívida é de, no outro dia, saná-la”.
Para o presidente do Fortaleza, Osmar Baquit, o secretário Márcio Lopes foi infeliz nas suas declarações. “Ninguém disse que não paga. Acho que ele começa o trabalho de forma errada. Se o Fortaleza não puder jogar no PV, não tem problema, pois nós temos o nosso estádio”, disparou Baquit.
O presidente do Leão do Pici ainda acrescenta que a equipe pagará o que deve, mas se ainda houver algum problema ele se entende diretamente com o prefeito eleito, Roberto Cláudio.
“Primeiramente, o prefeito é o Roberto Cláudio, não o Márcio Lopes. E eu não vejo na pessoa do atual prefeito uma autoridade que vá proibir o Fortaleza de jogar em qualquer estádio da Capital”, concluiu o dirigente.
CONTRATO CASTELÃO – A negociação entre Ceará, Fortaleza e a Arena Castelão, a respeito do contrato de exclusividade para a realização de jogos das duas equipes no estádio, parece não caminhar bem. Após uma reunião entre os representantes dos clubes e do consórcio, realizada ontem, os dirigentes alvinegros e tricolores são enfáticos ao afirmarem que as negociações não têm agradado.
“O que houve foi uma reunião que retroagiu as negociações. Pontos que eu imaginava que já tinham sido resolvidos não foram; muito pelo contrário, eles acharam que isso ou aquilo não foi colocado (antes) e não se chegou a um consenso”, disse o presidente do Leão, Osmar Baquit.
Já para o Ceará, caso um acordo não seja firmado, a equipe já programa mandar seus jogos no Estádio Presidente Vargas e, em jogos maiores, alugar o Castelão, como antigamente. “Com os termos atuais, fica difícil avançar e dar continuidade às negociações”, disse Evandro Leitão.
Rodada dupla
As duas equipes farão, no próximo dia 27, uma rodada dupla contra Bahia e Sport/PE. Durante os duelos será inaugurado o novo gramado do Castelão.
De acordo com o titular da Secretaria Especial da Copa (Secopa), Ferruccio Feitosa, o duelo foi pensado, juntamente com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para que as equipes de maior apelo do Estado participassem desse momento histórico para o futebol local.
Uma das propostas apresentadas aos dirigentes do Alvinegro e do Tricolor indicava o pagamento de apenas 7% da renda de cada partida para o aluguel da arena, um ganho de 70 mil reais mensal por seis anos, direito a quatro camarotes e quatro lojas no estádio, além de bônus em caso de avanço às fases finais da Copa do Brasil e do Nordestão.
Vale ressaltar que a ideia do consórcio é que o contrato de exclusividade seja fechado antes da rodada dupla no dia 27 de janeiro. A reportagem tentou entrar em acordo com o consórcio Arena Castelão, por meio da sua assessoria, mas não teve sucesso. Anteriormente, a arena havia esclarecido que as negociações correm sob sigilo.
Diário do Nordeste

