O francês Jerôme Valcke parece ter recorrido a um velho expediente brasileiro quando o assunto são prazos. Ha exatos cem dias para a abertura da Copa do Mundo, o secretário-geral da Fifa, reconheceu que muito ainda precisa ser feito, mas demonstrou plena confiança de que tudo vai dar certo no final. Segundo Valcke, o desafio agora está nas mãos dos organizadores.
Valcke claramente baixou o tom das críticas depois de afirmar em março de 2012 que o Brasil merecia “um chute no traseiro”. A declaração causou na época provocou a ira do governo brasileiro. Desta vez, o francês evitou criar nova polêmica e preferiu valorizar os 12 estádios que sediarão as partidas do Mundial.
— Nós já tivemos que colocar algumas coisas no lugar e será um trabalho muito em cima da hora, mas vai funcionar no final. Isso vai funcionar. Vocês [jornalistas] vão ter o que esperam e as seleções terão o melhor. Os estádios são lindos, mas agora isso é um desafio para os organizadores. Isso não é uma crítica. É apenas um desafio. Temos que encontrar as soluções.
Já na reta final para a abertura da Copa, Valcke demonstrou confiança no cumprimento dos prazos. Quatro dos 12 estádios ainda não foram concluídos: Arena Corinthians (São Paulo), Arena da Amazônia (Manaus), Arena da Baixada (Curitiba) e Arena Pantanal (Cuiabá). Palco do jogo inaugural, o Itaquerão, por exemplo, tem 97% das obras concluídas e previsão de entrega para 15 de abril, segundo a construtora Odebrecht. A entrega deveria ter sido em 31 de dezembro, mas foi adiada devido ao acidente que causou a morte de dois funcionários.
— A bola começa a rolar em 12 de junho e acho que as coisas vão funcionar bem, mas também é verdade que sempre que você recebe algo tarde se torna um desafio deixá-lo pronto a tempo. Estamos trabalhando em condições em que o cimento ainda não está seco. Nós ainda temos que instalar todas as soluções de tecnologia para a mídia, o que precisa de pelo menos 90 dias.
O País soube oficialmente que sediaria a Copa em outubro de 2007. Mas a vitória começou a ser desenhada ainda em março de 2006 quando países pertencentes à Conmebol passaram a apoiar o Brasil alegando que não tinha estruturas para sediar uma Copa – Argentina e Colômbia também pleiteavam o Mundial.


