Alemanha 7 X 1 Brasil: Decepção Completa Um Ano e Nada Mudou

Nenhum 8 de julho será mais o mesmo desde que essa data em 2014 colocou em sua agenda de...

Nenhum 8 de julho será mais o mesmo desde que essa data em 2014 colocou em sua agenda de efemérides uma partida de futebol entre as duas seleções mais vencedoras da história do futebol mundial. E numa semifinal de Copa do Mundo. O Brasil, anfitrião, ostentando suas cinco estrelas no peito, enfrentou a Alemanha, ainda com três. E em 90 minutos, essa história ganhou talvez o capitulo mais emblemático do esporte mais popular do mundo.

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Um ano depois do 7 a 1 que fez muitos chorarem, mas que também virou piada e hashtag nas redes sociais, deu lições ao time derrotado.

Em campo, a seleção brasileira passou a ser comandada por Dunga, técnico que parou nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010. Ele até conseguiu bons resultados em amistosos, mas na primeira competição oficial, a Copa América de 2015, deixou evidente que o time brasileiro, em um ano, está como naquela tarde do Mineirão: dependente de Neymar, ausente no fiasco Dunga, como fizera Felipão, ignorou a necessidade de um plano B para uma eventual perda do camisa 10. E o Brasil passou vergonha de novo. Diante da eliminação para o Paraguai, goleado depois por 6 a 1 pela Argentina, a CBF resolveu reunir ex-técnicos da seleção brasileira para a partir dali, definir novos caminhos. Sebastião Lazaroni, Ernesto Paulo, Carlos Alberto Parreira e Zagallo, viraram sinônimo de novidade.

Na véspera do aniversário do jogo, Daniel Alves, um dos jogadores que estiveram no Mineirão, ainda que no banco, revelou que Pep Guardiola, o melhor técnico do mundo nas últimas temporadas, queria ser o comandante do Brasil na Copa de 2014. Ele, contudo, foi ignorado pela CBF na troca de Mano Menezes por Luiz Felipe Scolari, o mentor do 7 a 1.

Cartola preso
Em maio de 2015, o responsável pela troca de comando da seleção brasileira no final de 2012, foi preso na Suíça. José Maria Marin, presidente da CBF até abril, é um dos seis detidos por conta de esquema de corrupção e propina investigado pelo FBI. Marco Polo Del Nero, seu sucessor, fugiu da Suíça e agora evita deixar o Brasil, já que aqui não pode ser extraditado.

Já Marin, sempre muito sorridente antes da Copa do Mundo, costumava fechar a cara apenas quando perguntado sobre o que seria do futebol brasileiro em caso de derrota em casa. “Se vencermos, estaremos no paraíso. Se perdermos, será o inferno”. Em uma cela privada de uma prisão de Zurique, o cartola de 83 anos, ex-governador de São Paulo na ditadura militar, vive seu inferno particular. O 8 de julho de 2015, pra ele, será apenas mais um dia igual, como é desde 26 de maio, data da sua prisão.

CBF e deputados unidos
Uma proposta chancelada pela presidente Dilma Rousseff, em março, indicava uma predisposição do governo federal em renegociar as dívidas dos clubes brasileiros com a União, que chegam a R$ 4 bilhões. A Medida Provisória assinada por Dilma dava aos clubes o direito de dividir em até 20 anos o pagamento de suas dívidas, mas com contrapartidas, como por exemplo, rebaixamento de clubes que não paguem salários em dia aos seus atletas. É assim na Alemanha. Mas aí, a CBF entrou no jogo.

Mudanças nas eleições das federações (algumas com dirigentes no comando há décadas), auditorias externas a cada três meses e garantia de déficits zerados até 2020 são questões que ainda incomodam cartolas. Jovair Arantes (PTB-GO), próximo à CBF, é um dos defendem mudanças no texto, assim como outros deputados remunerados pela entidade, como Marcelo Aro (PHS-MG) e Vicente Cândido (PT-SP).

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, é uma voz isolada entre os clubes que aprovam o texto integral da MP. A maioria dos clubes pretende aderir à MP, mas sem tantas contrapartidas, e também apoiaram mudanças no texto. O 7 a 1, caso a MP não seja aprovada com seu texto original, também estará vivo no Congresso Nacional.

Calendário prejudicando clubes
Entre as mais básicas necessidades dos clubes brasileiros está a de não perder jogadores em suas partidas oficiais. Em países que respeitam seus clubes e jogadores, os times em seus campeonatos locais quando a seleção nacional está em campo. No Brasil é diferente há anos, e nem o 7 a 1 foi capaz acionar o alerta. Durante a Copa América, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras e Santos foram desfalcados. No conselho técnico com ex-treinadores da seleção, a questão voltou a ser debatida. Mas mais uma vez, não há qualquer sinal de que algo de concreto será feito.

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