
Bélgica e Estados Unidos se mostraram duas seleções frias e calculistas ao longo desta Copa do Mundo. Futebol bonito para quê? O que importa são os resultados. Na base da objetividade pura, foi assim que avançaram em terras brasileiras até as oitavas de final. Os jogos que venceram foram com placares magros. Vantagem de apenas um gol. Nada de espetáculo. Às 17h de hoje, essa filosofia se choca com o retrospecto de goleadas da abençoada Arena Fonte Nova. Resta saber quem será mais eficiente ou se algum deles se renderá a magia do local.

Nesse caso, a esperança maior recai sobre os Diabos Vermelhos. Depois de se classificarem com surpreendente facilidade nas eliminatórias europeias, a equipe avançou na Copa do Mundo com três vitórias e sensação de que pode fazer muito mais. Ainda que a questão irrite o técnico Marc Wilmots, a geração que comanda tem potencial para jogar bonito. Não apenas para vencer a qualquer custo. Na realidade, o atual discurso do treinador é uma afronta ao profundo projeto de reformulação desenvolvido pela federação belga.
Em 2000, o país, ao lado da Holanda, foi anfitrião da Eurocopa e despencou na primeira fase. Humilhação que acabou seguida pelo desejo de mudança. Após reuniões e viagens a países referência na Europa, foi desenvolvido um guia. O conteúdo definiu diretrizes para os clubes, seleções de base e treinadores de escolas. Com ideias definidas, ficou traçado que todos deveriam adotar o esquema com uma linha de quatro zagueiros, três meio-campistas e mais três homens na frente, sendo dois obrigatoriamente pontas.
O projeto demorou para engrenar. Até porque os times da Bélgica tinham o mesmo desejo do treinador atual. Apenas ganhar. Aos poucos, o jogo dos atletas acabou se desenvolvendo. Os bons resultados vieram como consequência. Cerca de 14 anos depois do ponto de virada, os belgas contam com uma geração jovem e promissora. Depois de tirarem o peso de avançar de fase, o futebol, enfim, pode ficar mais solto.
Agora, porém, o jogo promete ser com o adversário mais duro da caminhada no Brasil. Time também técnico, os Estados Unidos deixaram para trás um grupo forte. Ficaram na frente de Gana e Portugal. Mostraram também a mesma frieza para definir os jogos e garantir o resultado que lhes interessa. Para o jogo de vida ou morte, no entanto, o time de Klinsmann precisa fazer mais. E isso passar por uma evolução do sistema ofensivo. A equipe é uma das que menos criou na Copa do Mundo. É a quarta pior em termos de finalização. Arriscou apenas 27 chutes. Ainda assim, marcou os mesmos quatro gols dos belgas no Mundial. Eficiência o time norte-americano tem da mesma forma.

