Violência no trânsito mobiliza Sertão Central

Moradores de Quixeramobim estabeleceram o terceiro domingo de novembro como o Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito
FOTO: JOCIVAN ALVES/DIARIO DO NORDESTE

 

OKariri, por Diário do Nordeste

 

Cidades do Sertão Central estão preocupadas com a violência no trânsito verificada nas áreas urbanas dos municípios. Em Quixadá e Quixeramobim, as autoridades do trânsito já estão em alerta, diante da proximidade das festas de fim de ano. Geralmente, em feriados prolongados, o número de acidentes com veículos vem aumentando na região.

 

Uma caminhada realizada no último fim de semana em Quixeramobim demonstra a preocupação com o número de acidentes de trânsito registrados na região. De acordo com um dos organizadores da manifestação, o subtenente da Polícia Militar do Ceará, Luis Carlos Paulino, especialista em segurança no trânsito, o movimento, de iniciativa popular, realizado na cidade no terceiro domingo de novembro, Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito, é um sinal de alerta.

 

Dezenas de pessoas, na maioria familiares de vítimas mortas no trânsito, saíram às ruas com o objetivo de sensibilizar a população acerca do problema. O número de acidentes está aumentando com a proximidade das festas de fim de ano.

 

Em análise mais detida acerca do trânsito nas duas maiores cidades da região, Quixadá e Quixeramobim, Paulino constata que o incremento da frota é uma constante. Nos últimos 10 anos, os dois municípios saltaram de uma frota de 11.425 para mais de 37 mil veículos automotores. Além da triplicação de veículos circulando pelas vias das duas cidades, acompanhada do aumento do índice de acidentes, superior a 30%, os investimentos em fiscalização, em engenharia de tráfego e em educação para o trânsito não evoluíram na necessária proporção, segundo observa o militar.

 

Diante de mais um fim de ano marcado pelo excesso de festividades e de comemorações próprias desse período, Paulino adverte os gestores do trânsito nesses dois municípios – e os demais agentes públicos responsáveis, em alguma medida, pela fiscalização – para não abrandarem as ações de fiscalização.

 

“Infelizmente, a experiência mostra que, quando a fiscalização se retrai, uma grande parcela de condutores incivilizados assume comportamentos de risco e desrespeita completamente as mais comezinhas normas voltadas à segurança no trânsito”, justifica o especialista.

 

Na opinião do agente da Autarquia Municipal de Trânsito de Quixeramobim (ATMQ), Fernando Ivo de Sousa, auxiliar do superintendente do órgão municipal, apesar do número de óbitos registrados nas ruas e avenidas da cidade se manterem estáveis, na média de 12 mortes por ano, a quantidade de lesões está maior nos últimos meses, conforme o percentual apontado por Paulino. Segundo ele, de janeiro a outubro foram mais de 180. Os números poderiam ser ainda maiores se muitos não se evadissem dos locais dos acidentes antes da chegada da equipe da ATMQ e da Polícia.

 

Boa parte dos condutores trafega de forma irregular. Não são habilitados ou o veículo está com alguma pendência na legislação pertinente. Muitos motoristas estão, inclusive, sob o efeito de bebidas alcoólicas.

 

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