OKariri, por O Povo
Marcos Augusto Vieira, 42, considera ser uma luta necessária, diária e urgente os cuidados para a prevenção da dengue. “Se só eu me prevenir, não deixar água acumulada, não vai adiantar nada se o meu vizinho não tomar”, aponta o autônomo, morador de Quixadá. A cidade, localizada no Sertão Central do Ceará, é uma das três do Estado que correm alto risco de ter surto de dengue.
Além de Quixadá, Tejuçuoca e Baturité, a 159 e 93 quilômetros de Fortaleza, respectivamente, também foram apontadas pelo Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) com alta possibilidade de surto. Os dados foram divulgados ontem, em Brasília, pelo Ministério da Saúde. O Liraa foi realizado em 29 cidades do Ceará – no total, 1.239 do Brasil – de janeiro a setembro de 2012 para avaliar o grau de infestação da doença. Ao todo, 77 municípios brasileiros tiveram situação considerada preocupante.
A medição do Liraa é realizada desde 2010, levando em consideração a porcentagem de infestação nas residências das cidades. Os municípios classificados como de risco apresentam larvas do mosquito em mais de 3,9% dos imóveis pesquisados.
É considerado estado de alerta quando menos de 3,9% dos imóveis pesquisados têm larvas do mosquito. O índice é satisfatório quando está abaixo de 1% de larvas do Aedes aegypti. Dos 77 municípios em situação de risco neste estudo mais recente, 58 realizaram o Liraa pela primeira vez e 10 mantém a situação de risco, a exemplo de 2011.
Quixadá, cidade com maior índice do Estado, apareceu com 6,3%. Em seguida, vêm Tejuçuoca (4,9%) e Baturité (4,5%).
Fortaleza saiu do grau de alerta, em 2010, quando foi constatada infestação em 1,2% das residências, para atingir 0,9% ano passado e 0,8% este ano.
O coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Manoel Fonsêca, diz que, mesmo o ano de 2012 sendo de seca, o acúmulo de água em reservatórios ajuda na proliferação da doença. O Ministério da Saúde está repassando a todos os estados e municípios R$ 173,3 milhões para ajudar nas ações de combate. Em 2011, foram transferidos R$ 92,8 milhões a 1.159 cidades que apresentavam maior incidência.
Fonsêca aponta que o papel do Estado é realizar assessoria técnica com as prefeituras, para auxiliar na prevenção. Nesse processo, é feito estímulo para que não haja desmonte das equipes de controle de endemias. Em seguida, são avaliados os estoques dos soros oral e injetável usados no tratamento contra a dengue. É feito ainda um trabalho de ação social, como limpeza do lixo e pela proteção dos locais que acumulam água. Como última ação, a contagem dos casos e óbitos pela doença.

