
Em Canindé (a 120,2 quilômetros de Fortaleza), às sextas-feiras, água é artigo de luxo para os moradores do bairro do Esse. Às quintas, é a vez dos vizinhos do Alto do Moinho encontrarem torneiras vazias. E assim, ao longo da semana, a situação se repete ao longo das seis regiões em que a cidade foi dividida para suportar o racionamento de água, iniciado no último dia 25.
No Ceará, o cenário é o mesmo nas sedes de outros seis municípios abastecidos pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Já nas cidades de Alcântaras, Irauçuba, Milhã, Quiterianópolis e Tejuçuoca é o carro-pipa da Defesa Civil Estadual quem leva o alívio da água. Para atravessar 2013 até a próxima quadra chuvosa, o cearense já necessita racionar.
“Nós já sabíamos que isso ia acontecer, só faltava transformar para o papel”, comenta o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Canindé, Nelson Bandeira. De acordo com Nelson, a intenção é reduzir em 40% os 200 mil metros cúbicos de água consumidos, mensalmente, pelo município.
“É um racionamento significativo. Mas sabemos que, lá no final, é melhor sobrar do que não chegar à próxima quadra. O povo daqui já está acostumado com isso, então eles encaram com bastante naturalidade”, diz.
Colapso hídrico
Atualmente, conforme a Cagece, as sedes dos municípios de Itatira, Caridade, Quiterianópolis, Beberibe, Crateús e Pacoti estão sendo alvos de ações emergenciais de abastecimento de água, como racionamento ou atendimento por carros-pipa. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão informou que, no momento, não há previsão de adoção de racionamento por outras cidades.
“A gente já está, teoricamente, com a recarga máxima dos açudes, porque já passamos a quadra chuvosa. Então vamos ter que trabalhar com essa água que está nos açudes”, explica Gianni Lima, assistente da diretoria de operações da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). De acordo com ele, as sedes de outros dez municípios cearenses podem, caso não sejam atendidas por ações emergenciais, entrar em colapso hídrico.
De acordo com Gianni, cinco adutoras emergenciais já estão em fase de construção. Os cerca de 100 quilômetros de equipamento devem levar água à população de até oito municípios.
Entre eles, Tauá, Beberibe e Crateús (ver coordenada). A conclusão da obra está prevista para o próximo mês. “Em seguida, vamos construir um segundo lote de adutoras, que é onde entra uma para o município de Canindé. A obra deve chegar e outubro ou novembro e garantir água para a cidade até o próximo ano”, informa Gianni.
O Povo Online

