Nos primeiros 13 anos em que a dengue surgiu no Estado apenas 12 mortes foram confirmadas. Mas, desde então, o número de óbitos tem aumentado bastante, e a expectativa é de que isso continue piorando devido ao longo tempo que a doença já se instalou nos municípios.
Todos esses 12 óbitos foram registrados no ano de 1996. Somente no ano 2000 é que outras mortes aconteceram, três no total. Até que em 2003 a quantidade subiu para 20 e em 2005 para 24. Desde então, o máximo de óbitos por conta da doença havia sido 22 em 2008. Até que, no ano passado, 53 mortes foram registradas. Nos primeiros sete meses deste ano, um total de 34 óbitos já foi contabilizado, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretária de Saúde do Estado (Sesa).
Para a professora Lorena Gomes da Frota, moradora do bairro Messejana, o medo de ser picada novamente pelo Aedes aegypti é grande. “Tenho pavor de ter o caso grave da doença e não conseguir resistir”.
A professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Izabel Florindo Guedes explicou que hoje, em Fortaleza, existem os quatro sorotipos do vírus carregados pelo mosquito e, por isso, o perigo aumenta. “A situação clínica do paciente piora se ele for infectado com dois tipos diferentes do sorotipo, pois acontecem mutações no vírus”, disse.
Segundo o médico infectologista Anastácio Queiroz, devido ao longo tempo que os cearenses têm convivido com esse problema muitas pessoas já tiveram a doença duas ou três vezes. Por conta disso, a enfermidade acaba sendo mais grave a partir da segunda vez.
“Já são 29 anos de dengue no Ceará. Isso aumenta muito as chances de ter casos graves com óbito. Principalmente porque a segunda vez tem dezenas de chances de ser pior que a primeira”, detalhou o infectologista.
Lira
O coordenador das ações de controle vetorial da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Carlos Alberto Barbosa, afirmou que existem, atualmente, em Fortaleza, oito bairros com o risco de surto de dengue, conforme o Levantamento de Índice Rápido (Lira), que será lançado ainda nesta semana. Entre os bairros estão Guararapes, Moura Brasil e Praia de Iracema.
FIQUE POR DENTRO
No Estado já existem os quatro sorotipos
A doença é causada por um vírus, que provoca febre alta e repentina. Existem, no Ceará, os quatro vírus que provocam a Dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e também DENV-4.
Todos esses quatro causam os mesmos sintomas. Mas, quando uma pessoa pega um tipo de vírus, fica imunizada somente contra ele. Dessa forma, a pessoa pode pegar essa doença até quatro vezes, se for picada por mosquitos infectados pelos diferentes sorotipos.
A dengue é mais comum nas áreas urbanas, principalmente nas cidades maiores, onde há mais aglomeração de habitantes e onde é maior a quantidade de criadouros artificiais, resultantes da ação do ser humano – lajes de prédios, calhas, lixos e objetos que acumulem água dentro de casa. Há também transmissão em cidades menores e rurais, mas tanto o número de casos quanto o de mortes é bem menor.
Por isso, a ação mais simples para prevenção dessa doença é evitar o nascimento do mosquito Aedes aegypti, pois ainda não existem vacinas ou medicamentos que combatam a contaminação. Uma vacina, que pode evitar muitos casos, está em estudo e deve ser apresentada em 2016.

