Os casos de estupro de vulneráveis, cometido contra menores de 14 anos, são uma preocupação constante. Apesar dos 145 inquéritos encaminhados no ano passado, o número real é bem maior. “Diariamente, despacho inúmeros boletins de ocorrências. Esse é um crime ainda muito recorrente”, lamenta a titular da Delegacia de Combate à Exploração de Crianças e Adolescentes (Dceca), Ivana Timbó.
Apesar de desconhecer os números exatos, a delegada esclarece que a maior parte das denúncias se confirmam. “E, para nossa decepção, indignação e tristeza, essas ocorrências acontecem na família. É o pai, o padrasto, o tio, um vizinho”, lamenta. “Infelizmente, ainda existe isso mas nós estamos lutando”, reforça.
Dificuldades
Há sete anos à frente da delegacia, Ivana Timbó reconhece as dificuldades em lidar constantemente com abusos cometidos contra crianças e adolescentes. “Quando assumi a Dceca, já vinha de outras delegacias, mas eu tive muitos choques”, disse. “Nos primeiros dias, ficava febril. Tive alguns problemas para me adaptar a essa realidade”.
Contudo, com o tempo, a delegada aprendeu a lidar com os desafios. “Fui adquirindo fortaleza e, hoje, eu trabalho com muita dignidade. Apesar das atrocidades, do conteúdo do que eu leio, eu consigo trabalhar sem sofrer e concentrar as energias em resolver os problemas, disse.
Para ela, a motivação para continuar está nos resultados alcançados. “Neste último ano, eu encontrei em shoppings, comércios e médicos, com pessoas que eu nem reconhecia, mas que chegavam para mim e diziam: ‘Aquele homem foi preso e pegou 25 anos’. Outra diz: ‘A pena dele foi 16 anos’. Isso dá um senso de justiça e motiva”, finalizou.


