Pré-estação das chuvas no Ceará deve ter volume na média

O início da pré-estação chuvosa, no Ceará, faz com que os agricultores vivam a expectativa de um bom inverno, depois de dois anos seguidos de estiagem. No campo, o sertanejo faz prece e torce para que a chuva volte a molhar a terra em 2014. As previsões do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para dezembro, janeiro e fevereiro mostram tendência de chuvas dentro da normalidade (40%), abaixo da média (35%) e acima (25%).

A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) somente vai divulgar o primeiro boletim com prognóstico de chuva para a quadra invernosa (fevereiro a maio) na segunda quinzena de janeiro de 2014. Até lá, os técnicos atualizam dados climáticos e analisam os indicadores de temperatura do Oceano Atlântico e Oceano Pacífico, dentre outros fatores.

De acordo com o meteorologista da Funceme, Raul Fritz, ainda é cedo para uma previsão da quadra chuvosa, pois até fevereiro as condições climáticas e meteorológicas podem sofrer variações significativas. No momento, o quadro é desfavorável. “As condições atuais não são boas”, observa Fritz. “A temperatura no Oceano Atlântico Sul das águas superficiais está neutra com manchas frias”.

As condições verificadas hoje podem sofrer modificações e a experiência mostra que o aquecimento das águas do Oceano Atlântico favorece a ocorrência de precipitações no Estado. “A Funceme tem modelos próprios, mais específicos para o Ceará, com detalhes e peculiaridades regionais”, explicou Fritz. “Estamos na torcida para que ocorra uma boa quadra invernosa”.

A média histórica de chuva no Ceará para a quadra invernosa (fevereiro a maio) é de 711 milímetros. Neste ano, choveu em média no período, 390mm, ou seja, houve um desvio de menos 45%. Em 2012, a situação foi pior. Choveu em média apenas 345mm. Esse índice representou um desvio negativo de 51%.

Para o período de janeiro a novembro deste ano, a Funceme registrou no Estado uma média de 544mm. A média histórica para o período é de 905mm. Em 2012, a situação permaneceu mais grave com registro de 389mm naquele intervalo de meses. A ocorrência de precipitações em 2013 foi semelhante a 2010.

Neste ano, de janeiro até novembro passado, a região que registrou menor índice médio de chuva foi o Sertão Central/Inhamuns, com uma média de 405mm e um déficit de 40,73%. A região Jaguaribana apresentou menor desvio médio de menos 21,11%. Se tomarmos como parâmetro, a média histórica, o Litoral de Fortaleza registrou maior desvio negativo de 41,32%, pois foram registrados 644mm para uma média de 1098mm.

O meteorologista da Funceme, Raul Fritz, observa que, neste ano, houve chuva de pós-estação em junho e julho, favorecendo o surgimento de pastagem nativa e a alimentação do rebanho de bovinos, ovinos e caprinos. “Essas precipitações trouxeram um alívio para os criadores e contribuíram para elevar a pluviometria ocorrida ao longo do ano”.

Em setembro passado, a Funceme divulgou que a quadra invernosa de 2013 ficou 37% abaixo da média histórica. Entretanto, novos dados de pluviometria dos postos de informações no Interior foram atualizados e esse índice subiu para 45%.

No período de 2003 a 2013, no Ceará, houve ocorrência de bom inverno com média anual superior a mil milímetros em 2004, 2009 e 2011. Entre 700mm e 1000mm, tivemos registro em 2003, 2006 e 2008. Abaixo de 700mm, considerados períodos regulares tivemos 2005, 2207, 2010 e 2013. Inferior a 400mm, apontado como crítico, foi em 2012. A década ficou dividida entre anos de elevas e baixas precipitações.

Diário do Nordeste

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