
Chegou ao fim a greve dos operários que trabalham na construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Reunidos no início da manhã de ontem em assembleia, eles decidiram aceitar a proposta feita pela construtora sul-coreana Posco Engenharia e Construção – responsável pelas obras do empreendimento-, e voltaram às atividades ontem mesmo, segundo informou o Sindicato da Construção Civil Pesada do Ceará, o Sintepav-CE.
A empresa confirmou a informação no começo da noite de ontem em nota e reavaliou a informação sobre o impacto da paralisação e a data de conclusão do empreendimento.
Depois de admitir publicamente que a entrega da CSP – prevista para o segundo semestre de 2015 – poderia ser prejudicada, em nota, a assessoria da Posco E&C apenas declarou que “continuará trabalhando para entregar a siderúrgica no tempo planejado”. A empresa é a maior já captada pelo Ceará para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e é de propriedade da brasileira Vale (50%) e das sul-coreanas Dongkuk (30%) e Posco (20%).
Acordos fechados
Segundo o informado pelo Sintepav-CE, dos 24 dias de paralisação, foram 17 dias úteis. Destes, nove foram abonados e os oito restantes serão pagos pelos trabalhadores ao longo dos próximos três meses. “Serão dois em agosto, três em setembro e mais três em outubro”, detalhou a assessoria de imprensa.
Além de terem chegado a um acordo sobre os dias, Posco E&C e Sintepav-CE ainda acertaram, de acordo com a entidade representante dos operários, que as faltas – os oito dias a serem pagos – não terão reflexo nem sobre as férias nem sobre o auxílio alimentação dos empregados.
Já o salário do mês de julho, que teve o pagamento suspenso pela construtora por conta da paralisação, o sindicato disse que será pago entre os dia 12 e 16 de agosto. A empresa sul-coreana, no entanto, não repassou informações detalhadas sobre os acordos feitos.
Sem detalhamento
Contudo, nem a Posco E&C nem o sindicato informaram sobre o atendimento às reivindicações feitas pela classe trabalhadora ao longo dos últimos 24 dias.
Na lista de exigências para que o retorno às obras fosse decretado entre os operários estavam plano de saúde estendido aos familiares, pagamento de cesta básica no valor de R$ 200, pagamento de percentual de 100% sobre as horas extras realizadas aos sábados, dentre outras reivindicações.
Repercussão em Brasília
Ainda sem saber que os trabalhadores haviam voltado ao trabalho, deputados cearenses discursaram a favor da retomada da obra ontem na Câmara Federal. Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE) condenou o Sintepav-CE e disse que os investidores estrangeiros e até brasileiros poderão rever os aportes financeiros em alguns Estados” por conta da ação do sindicato.
Já Danilo Forte (PMDB-CE), defendeu a intermediação do governador Cid Gomes no impasse para garantir “a retomada aos trabalhos” da siderúrgica.
Diário do Nordeste Web

