Não só de PT e PDT vive a política cearense, outras forças se articulam para o Governo do Ceará

A exemplo do cenário nacional, a disputa eleitoral no Ceará de 2022 caminha para o confronto entre duas candidaturas densas, politicamente. Do lado governista, o PDT terá um candidato. Do outro, está consolidada a pré-candidatura de Capitão Wagner (União Brasil). E na faixa compreendida entre os dois polos?

Pelos movimentos e declarações de representantes dos demais grupos, a chamada terceira via poderá ter, na configuração atual, até três candidaturas: Raimundo Gomes de Matos (PL), Adelita Monteiro (Psol) e Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto (PSDB).

A articulação do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, segue a estratégia de garantir palanque para o possível candidato à reeleição.

Também está sendo levada em consideração a visibilidade do partido na corrida proporcional. Ou seja, a disputa para vagas na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.

A tática é a mesma do Psol de Adelita e do tucano Cabeto. Neste último caso, entretanto, também está a vinculação estadual à corrida presidencial. Isso, caso seja confirmada a chapa ao Palácio do Planalto encabeçada pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), com Tasso Jereissati (PSDB-CE) na vice.

Sem Fla-Flu

Ao Otimista, Raimundo Gomes de Matos disse que sua pré-candidatura tem o objetivo de incentivar o debate político, para aprofundar e ampliar a discussão sobre as propostas e os rumos do governo do Ceará.

“Queremos uma participação mais efetiva, para evitarmos esse Fla-Flu, onde ninguém sai ganhando”, disse o pré-candidato do PL. Um dos mais experientes políticos em atividade no Estado, Raimundo Matos é médico, foi secretário estadual da Ação Social e é ex-prefeito de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Causa social

Fundadora do Psol no Ceará, a pré-candidata Adelita Monteiro já integrou a direção nacional do partido e, atualmente, é secretária geral do partido no Estado. Nas últimas eleições municipais, de 2020, foi candidata a vereadora de Fortaleza.

“Nossa candidatura vai colocar, de forma definitiva, os pobres dentro do orçamento público”, disse, ao O Otimista, a pré-candidata a governadora. “Vamos enfrentar o problema da desigualdade social e da fome”, completa.

Mãe de dois filhos – um menino de 1 ano de idade e uma menina de três -, a pré-candidata destaca o drama de famílias com dificuldades econômicas. “Não consigo imaginar a dor de milhares de mães do Ceará, que não conseguem colocar comida na mesa de seus filhos”, pontua.

“Excelente alternativa”

O PSDB-CE também foi procurado, para comentar a pré-candidatura do Dr. Cabeto, mas não houve retorno até o fechamento da edição. Nos últimos dias, o senador Tasso fez largos elogios ao médico, professor universitário e ex-secretário estadual da Saúde.

Líder maior do tucanato cearense, o senador definiu o nome do pré-candidato ao Abolição como “excelente alternativa”. Ponderou, porém, os afazeres profissionais do cardiologista. “Isso tem de ser discutido”, afirmou Tasso, à imprensa local.

Outro ponto que deverá entrar em pauta é a relação do PSDB com o governo estadual. Na reta final do mandato de senador, Tasso reaproximou-se da cúpula do grupo hegemônico no Ceará.

Mais

Com histórias e trajetórias diferentes, Raimundo Gomes de Matos e Adelita Monteiro têm algo em comum: rejeitam o rótulo de “terceira via”.

“Não me vejo como primeira, segunda ou terceira via. A gente se vê como pré-candidata caminhando ao lado do povo cearense”.

“Não classifico as pré-candidaturas ao Governo do Estado como terceira via, e sim como necessidade que temos de ampliar o debate”, afirmou Raimundo Gomes de Matos.

A expressão “terceira via” consolidou-se no noticiário político de todo o Brasil, em referência ao movimento que tenta furar o bloqueio da polarização.

O termo “polarização” também enfrenta resistências. Na avaliação de alguns setores, é um termo impreciso, já que os “polos” em questão não são, necessariamente, dois extremos do espectro político.

Leo Bayma: tendência é seguir cenário nacional

Estrategista de planejamento e campanhas eleitorais, o advogado Leonardo Bayma avalia que o cenário político-eleitoral do Ceará na disputa de 2022 tende a repetir o cenário nacional de polarização.

Para o consultor político, a única hipótese de isso não acontecer seria o rompimento, no Ceará, do PT com o PDT, com o ex-presidente Lula apoiando um candidato petista à sucessão da governadora Izolda Cela (PDT).

Causado pela postura crítica do presidenciável Ciro Gomes (PDT) contra o PT nacional e o ex-presidente Lula, o estremecimento entre os dois partidos, no Estado, tem um histórico de altas e baixas.

Bayma lembra que o tabuleiro traçado pelas pesquisas de intenção de voto aponta cerca de 70% do eleitorado identificando-se com Capitão Wagner (União Brasil) e os pré-candidatos do PDT.

Estão na disputa interna pedetista a governadora, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, o presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, e o deputado federal Mauro Filho.

Fragmentação

“Resta cerca de 30% para uma terceira via que pode, até as convenções no final de julho, se fragmentar em três ou mais candidaturas”, admite o especialista.

“Olhando para as movimentações políticas partidárias até o presente momento, o que se vê é um campo político polarizado entre duas fortes candidaturas”, diz o consultor, citando o opositor Wagner e a força do governo, que será representado pelo PDT. (EC) – Fonte: O Otimista.

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