Em face da atual crise hídrica vivenciada na região, as medidas para evitar o desperdício de água ganham nova prioridade nos hábitos da população. O cuidado com a economia do recurso natural é intensificado pela ameaça de um gasto financeiro ainda maior, em consequência da tarifa de contingência aplicada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), que ontem completou seis meses em vigor. A medida impõe um acréscimo de 10% ao valor da conta de água àqueles que não conseguirem reduzir o consumo hídrico mensal.Em alguns bairros, como no Joaquim Távora, a existência de chafarizes públicos permitem que os moradores consigam balancear o consumo entre o que é colhido na fonte e aquele fornecido pelos encanamentos.
O vigilante Jonathas Gomes, 30, por exemplo, afirma que consegue utilizar a água obtida no chafariz da Travessa Chevalier para todas as necessidades em sua casa. “Atualmente estamos com um problema no abastecimento de casa, porque estou instalando um novo hidrômetro, para separar com a do meu irmão, que mora ao lado”, relata, enquanto preenche um galão com 20 litros de água.
Valores
Quem também faz uso do chafariz é o carregador Valdemberg Alves, 20, que ainda com o auxílio da fonte pública reclama do alto valor da conta. “Desde pequeno que a gente usa essa água. Mas a gente também utiliza a água da Cagece e sempre vem cerca de R$100. Acho que ainda dá para diminuir esse valor”.
O chafariz em questão passou por reforma recentemente, o que fez com que os moradores ficassem por algumas semanas sem o equipamento. Nesse período, o gasto com água sofreu aumento, conforme relata Camila Dantas, estudante de 19 anos.
Diante desse cenário, Fortaleza vive a expectativa de uma nova fase de racionamento de água para o próximo semestre. O açude Castanhão, o maior reservatório do País, estava ontem com 8,75% de seu volume.
O secretário-executivo de Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Ramon Rodrigues, admitiu, na semana passada, que será necessário implantar um novo plano de racionamento a partir de agosto, para que o abastecimento nos reservatórios seja assegurado até a próxima quadra chuvosa, em março de 2017. Além disso, a Cagece também estuda um aumento na tarifa de contingência, para estimular a redução de consumo da população em até 20%.
Fonte: Gazeta do Cariri

