
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) recebe uma média anual de 6 mil animais em seu centro de triagem para reabilitação no Ceará. “Muitos desses animais chegam desidratados, tendo passado por situações de stress… alguns com marcas de queimaduras ou lesões”, revela Alberto Klefaz, analista ambiental do órgão responsável pelas reinserções. Segundo ele, mais da metade desses animais são devolvidos à natureza.
As operações de devolução são feitas até quatro vezes por mês em áreas na Região Metropolitana de Fortaleza e mesmo dentro da capital, como é o caso da mata do Curió. Nessas operações mais frequentes são reinseridos animais de menor porte. De dois em dois meses, macacos, cobras, veados-mateiros e guaxinins, por exemplo, são levados para zonas de mata atlântica no estado como é caso dos maciços de Baturité e da Ibiapaba.
Segundo Antonio Klefaz, as áreas de soltura cadastradas ainda são poucas. Na maior parte, essas áreas são propriedades privadas que contam com mata protegida. “Os proprietários procuram o Ibama e firmam parceria, porque têm interesse na preservação das espécies”, diz Klefaz, “alguns constroem até viveiros de adaptação em conjunto (com o Instituto)”.
Animais silvestres criados em casa
A maioria dos animais apreendidos são aves, pássaros silvestres canórios criados domesticamente em gaiola, como o pintor-verdadeiro, o sabiá, e o galo-de-campina. Klefaz destaca, ainda, espécies de macacos que são comprados filhotes no mercado clandestino, e que quando crescem são abandonados.
Ele lembra, ainda, casos de corujas, gaviões, cassacos e raposas, que chegaram machucados, queimados ou mutilados. O processo de reabilitação em alguns desses animais envolveu até cirurgias. “A gratificação de ver o resultado de todo trabalho feito é muito grande. A gente consegue devolver esses animais, acompanhar o estabelecimento deles e até reprodução”, diz.
Crime ambiental
Quem for flagrado criando animais silvestres em casa pode pagar de R$ 500 até R$ 5 mil.
As denúncias podem ser feitas pelos números 0800 618080 (Ibama) ou pelo 31013545 (Polícia Ambiental)
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